Edição 272Setembro 2017
Sábado, 21 De Outubro De 2017
Editorias

Publicado na Edição 272 Setembro 2017

Acervo FAMS

O bisavô dos quiosques da orla

Rara imagem da “Fructeira Paulista”, montada ao lado das cabines de banho dos hotéis Belvedere e Bandeirante, no Gonzaga

O bisavô dos quiosques da orla

Nas primeiras décadas do século XX, o cidadão que pretendesse tomar banho de sol ou de mar, deveria seguir até a orla vestido como se estivesse indo à missa de domingo. Não era raro ver os cavalheiros com terno e gravata e as senhoras com vestidos garbosos e elegantes. Aqueles que, realmente, tinham a clara intenção de aproveitar a praia, se utilizavam das cabines de banhos que alguns empreendimentos hoteleiros e até outros empresários que não eram do setor de hospedagem montavam na faixa de areia. Era lá, dentro daquelas pequenas cabines de madeira, que ocorria a transformação dos banhistas. De elegantes, saiam como se estivessem com um pijama para dormir.

O bisavô dos quiosques – Mas se você achou esquisito o departamento de vestuário praiano, o da gastronomia de final de semana não ficava muito atrás. Em 2009, a Fundação Arquivo e Memória de Santos recebeu, em doação, uma imagem raríssima, que revelava o provável primeiro estabelecimento de lanches da orla da praia de Santos, o “bisavô” dos quiosques! De propriedade do empresário José Baltazar Gião, um próspero comerciante de guloseimas, petiscos, bebidas e frutas, o lugar, chamado de “Fructeira Paulista” era uma espécie de trailer, a quem o proprietário chamava de “AutoBar”. E em seu pequeno estabelecimento à beira mar, Gião, com a ajuda de um funcionário elegantemente trajado, ofertava aos distintos clientes, toda sorte de castanhas, amêndoas, doces da fábrica santista A Leoneza, tremoços portugueses, variados tipos de pães, frutas e bebidas para todos os gostos, incluindo cervejas e refrescos, os preferidos da criançada. O AutoBar de Gião mantinha mesas embutidas na estrutura externa, as quais ele rodeava com práticas cadeiras de madeira dobráveis.

Guloseimas devidamente consumidas, trajes colocados, nada impedia, então e afinal, o santista de sorrir e mostrar o quanto era feliz em sua praia democrática.

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br

Publicado na Edição 271 Agosto 2017

Acervo FAMS

80 anos no ensino público

Colégio Canadá: Gymnásio do Estado

80 anos no ensino público

Um dos mais tradicionais colégios da cidade de Santos, o Canadá, completa este mês de agosto de 2017, a marca de 80 anos de idade. Conhecido inicialmente como Gymnásio do Estado, foi criado desta forma pelo Decreto 6.601, de 11 de agosto de 1934, durante o governo de Armando Salles de Oliveira. A instituição, então, passou a funcionar em uma casa na avenida Ana Costa e logo depois ocupou uma pequena parte no andar térreo do Grupo Escolar “Dr. Cesário Bastos”. Foi quando, em agosto de 1937 transferiu-se …

Leia mais

Publicado na Edição 270 Julho 2017

Acervo FAMS

A tatuagem, no Brasil, surgiu em Santos

Lucky Tattoo em seu atelier da Rua João Otávio, em 1968

A tatuagem, no Brasil, surgiu em Santos

“It’s not a sailor if he hasn’t a tattoo” (Não és um marinheiro se não tiveres uma tatuagem). Esta chamada, inscrita numa pequena placa de madeira, tornou-se um marco na área portuária santista, mais especificamente na badalada Boca, zona de boemia e prostituição da área portuária. Era o marketing promovido pelo dinamarquês Knud Harald Lykke Gregersen, com o objetivo de fisgar seu público-alvo: os homens do mar que circulavam nas cercanias do negócio que abriu quando desembarcou no cais santista em 20 de julho de 1959.…

Leia mais

Publicado na Edição 269 Junho 2017

Acervo FAMS

Templo gótico na orla

Basílica Santo Antônio do Embaré: foto da década de 1920

Templo gótico na orla

A Basílica Menor de Santo Antônio do Embaré surgiu como uma pequena capela, em 1875, construída por ordem de Antonio Ferreira da Silva (o Visconde do Embaré), na chácara de sua propriedade, frontal à orla da praia da Barra. Após a morte do emérito santista, em 1887, a capela passou por um processo de degeneração, até que, em 1910, foi reformada.

Nos anos seguintes, com o aumento de residências na região da orla, viu-se a necessidade de ampliar o templo, a fim de atender a demanda …

Leia mais

Publicado na Edição 268 Maio 2017

Acervo FAMS

Glamour nas areias da praia santista

Hotel Internacional do José Menino:  hoje, no lugar do imponente prédio, existe um conjunto de prédios pé na areia

Glamour nas areias da praia santista

Muita gente acha que o primeiro hotel da orla santista foi o antigo Parque Balneário, surgido bem no início do século 20, quando a atividade hoteleira da cidade basicamente se concentrava no atual Centro Histórico. De fato, o Balneário, cuja história se iniciou em 1904, foi um hotel que marcou a memória de Santos, tanto por suas dimensões, como por seu requinte. Porém, os ventos marítimos conheceram outra magnífica instalação hoteleira, pioneira no Estado de São Paulo, que facilmente impressionou os primeiros turistas em passagem pela cidade santista. …

Leia mais

Publicado na Edição 267 Abril 2017

Acervo FAMS

Progresso para a Baixada Santista

Festa de inauguração da Rodovia Anchieta, em 1947: no carro da frente o governador Adhemar de Barros

Progresso para a Baixada Santista

Depois da inauguração da nova estrada para o litoral paulista, a Rodovia Anchieta, em 22 de abril de 1947, São Paulo conheceu um novo ciclo de desenvolvimento, em especial o verificado nas cidades da Baixada Santista, que testemunharam o surgimento do polo petroquímico siderúrgico de Cubatão e o crescimento do setor imobiliário, aliado ao aumento substancial de turistas e veranistas em busca de sossego e lazer durante as temporadas de Verão.

O velho Caminho do Mar (SP-148) já não suportava o volume de trânsito entre o Planalto e …

Leia mais

Publicado na Edição 266 Março 2017

Acervo FAMS

Teatro Guarany. Palco de grandes fatos históricos

Teatro Guarany em postal do começo do século 20

Teatro Guarany. Palco de grandes fatos históricos

Segundo teatro mais antigo da cidade, o Guarany (1882), foi erguido com recursos doados por grandes empresários do café. Sua obra durou dois anos até que, em 7 de dezembro de 1882, abriu as portas para o público santista, que assistiu, na estreia, as peças Mário, de Eduardo Cadendu, e Lucrécia, ambas apresentadas pela Companhia Recreio Dramático da Corte.

O maior destaque da inauguração, porém, foi a apresentação, durante o intervalo, da orquestra regida pelo maestro Luiz Arlindo da Trindade, que executou peças do compositor brasileiro …

Leia mais

Publicado na Edição 265 Fevereiro 2017

Acervo FAMS

Estação de Trem do Valongo. 150 anos de histórias

Estação de Trem do Valongo (A Ingleza): a mais antiga do Estado de São Paulo, inaugurada em 16 de fevereiro de 1867

Estação de Trem do Valongo. 150 anos de histórias

Inaugurada em 16 de fevereiro de 1867, ou seja, completando 150 anos em 2017, a Estação de Trem do Valongo é a mais antiga do Estado de São Paulo, ponto final da estrada inglesa São Paulo Railway, concebida sob os auspícios da genialidade do Barão de Mauá e concluída pelas mãos hábeis dos ingleses, que a exploraram comercialmente até 1946.

Projetada simples, como os velhos prédios de uma Santos ainda marcada pela arquitetura colonial, a edificação ganhou, a partir de 1895, ares aristocráticos, com forte influência vitoriana, com …

Leia mais

Publicado na Edição 264 Janeiro 2017

Acervo FAMS

O Correio em Santos. Uma história com mais de 200 anos

O palacete dos Correios localizado no Centro, hoje situado ao lado do Paço Municipal, em imagem da época em que foi inaugurado, 1924

O Correio em Santos. Uma história com mais de 200 anos

O serviço de correios na cidade de Santos foi criado pela primeira vez em 27 de julho de 1798, durante o reinado de D. Maria I e regência de seu filho, D. João. Inicialmente era um serviço apenas entre a cidade portuária e a capital bandeirante, essencialmente para trazer as correspondências dos colonos paulistanos que desejavam enviar notícias para Portugal, através dos navios que atracavam no porto santista.

Em 1835, o Correio da Corte passou a entregar as correspondências em domicílio (antes o destinatário tinha de ir

Leia mais

Publicado na Edição 259 Agosto 2016

Acervo FAMS

Um palácio dedicado ao Patriarca da Independência.

Palácio José Bonifácio foi construído sob influência da arquitetura francesa

Um palácio dedicado ao Patriarca da Independência.

Desde a criação da Prefeitura, em 1908, a cidade de Santos sonhou em possuir uma sede própria para o executivo municipal (ela ficava em imóvel alugado – os Casarões do Valongo – atual Museu Pelé). Muitos foram os projetos criados para tal objetivo. Ao final, coube ao engenheiro Plínio Botelho do Amaral o privilégio de escrever seu nome na história, como o idealizador do prédio, batizado como Palácio José Bonifácio de Andrada e Silva. Elaborado com linhas clássicas, com total influência da arquitetura francesa, a edificação apresenta, internamente, …

Leia mais

Publicado na Edição 258 Julho 2016

Acervo FAMS

Postos de Salvamento. Vigilantes da orla praiana

Presente do Rotary Clube de Santos: vigia e suporte ao banhista 

Postos de Salvamento. Vigilantes da orla praiana

Pouca gente sabe, mas os seis Postos de Salvamento que se estendem pela orla foram oferecidos à população pelo Rotary Club de Santos, antes mesmo de os jardins serem efetivamente urbanizados.

O inicio da construção aconteceu em 1928. As obras duraram quatro anos, terminando com a entrega – registrada em ata do clube – no dia 25 de maio de 1932. Ainda segundo o documento do Rotary, o prefeito Aristides Bastos Machado e o capitão Bianco Pedroso, delegado regional, estavam na reunião em que o presidente do clube, …

Leia mais

Publicado na Edição 257 Junho 2016

Acervo FAMS

Real Centro Português. Arquitetura única em SP

Real Centro Português: construído entre 1898 e 1901

Real Centro Português. Arquitetura única em SP

Localizado na esquina da rua Amador Bueno com rua Martim Afonso, o Real Centro Português de Santos, considerado por muitas décadas o principal elo da colônia portuguesa na cidade, possui uma das arquiteturas mais singulares, em estilo neomanuelino, única no estado de São Paulo e uma das poucas existentes no Brasil – as outras conhecidas são o Real Gabinete Português de Leitura (1880-1887) e o Liceu Literário Português, no Rio de Janeiro, o Gabinete Português de Leitura em Salvador da Bahia (1915-1918), a mansão Henry Gibson, erguida em

Leia mais

Publicado na Edição 255 Abril 2016

Acervo FAMS

Matadouro Municipal. No tempo das estouradas de boi na ZN

Cena da inauguração do Matadouro Municipal, em 1916

Matadouro Municipal. No tempo das estouradas de boi na ZN

Houve um tempo, quando a atual região da Zona Noroeste de Santos era praticamente uma imensa área rural, em que a cena mais comum aos poucos moradores locais era o trânsito de gado em direção ao maior e mais bem equipado matadouro do litoral. E nada incomum, vez em quando, alguns dos animais se “insurgirem” contra seus algozes, iniciando verdadeiras estouradas, para alegria das crianças, testemunhas festivas da fuga dos bois até locais como o Saboó, como já registrado na memória santista.

O Matadouro Municipal foi criado na …

Leia mais

Publicado na Edição 254 Março 2016

Acervo FAMS

Palacete Aranha Rezende. Gênese da transformação urbana santista

À esquerda, as palmeiras frontais ao majestoso Palacete Aranha

Palacete Aranha Rezende. Gênese da transformação urbana santista

As riquezas resultantes da comercialização do café pelo Porto de Santos transformaram a cidade, gradativamente, a partir do final da década de 1860. A até então pequena comunidade praiana e portuária, logo se tornaria uma das cidades mais belas do Estado de São Paulo.

Antes da chegada da ferrovia (que foi a mola propulsora do desenvolvimento econômico local), a classe mais abastada de Santos vivia em grandes sobrados situados na antiga rua Direita (atual XV de Novembro) ou na Santo Antonio (rua do Comércio). Com o aumento significativo …

Leia mais

Publicado na Edição 253 Fevereiro 2016

Acervo FAMS

Teatro Coliseu. Palco de pioneirismos e muita arte

Coliseu na década de 1950: cinema era a principal atração local

Teatro Coliseu. Palco de pioneirismos e muita arte

Inaugurado em 1897 como um velódromo (pista de corrida para bicicletas), funcionou assim até 1903. Dois anos depois foi comprado por Francisco Serrador Carbonell, um dos introdutores do cinema no Brasil, que ali mandou instalar uma tela e palco para encenações teatrais. Nominado Colyseu Santista, foi inaugurado em 23 de julho de 1909. O espaço passou a receber renomados artistas, nacionais e internacionais, assim como abrigou animados bailes de Carnaval.

Em 1923 foi vendido para o empresário santista Manuel Fins Freixo, também do ramo do cinema, que não …

Leia mais

Publicado na Edição 252 Janeiro 2016

Acervo FAMS

Embrião do sistema mutuário na América Latina

Conjunto Castelo Branco – BNH Aparecida: foto do início dos anos 1970

Embrião do sistema mutuário na América Latina

No final dos anos 1960, Santos foi escolhida para abrigar a primeira experiência habitacional popular do Banco Nacional de Habitação (BNH), entidade criada em 1964 para financiar empreendimentos imobiliários pelo Brasil. A decisão foi motivada pela reivindicação dos operários da Baixada Santista, em especial os operários do Pólo Petroquímico de Cubatão e do Porto de Santos, que formaram uma cooperativa para viabilizar o empreendimento.

O primeiro passo foi a aquisição da área, de 146,2 mil metros quadrados, no bairro da Aparecida, pertencente ao Instituto Nacional de Previdência Social …

Leia mais

Publicado na Edição 251 Dezembro 2015

Acervo FAMS

Primeiro monumento da cidade é erguido em honra ao fundador de Santos

Monumento em honra ao fundador de Santos

Primeiro monumento da cidade é erguido em honra ao fundador de Santos

Até meados do século XIX, Santos ainda guardava um aspecto bastante próximo dos tempos coloniais, com casarões de grossas paredes e arquitetura simples. Com o advento da ferrovia, em 1867, a cidade começou a se transformar, graças à riqueza proporcionada pelas exportações de café. A forte influência da escola francesa de arquitetura, assim como a inglesa, esta trazida pelas companhias que assumiram serviços públicos importantes na cidade, como a distribuição de água e o transporte coletivo, fez surgir praticamente uma nova cidade santista, com sobrados e palacetes de …

Leia mais

Publicado na Edição 250 Novembro 2015

Acervo FAMS

Bolsa do Café. Tesouro no Centro de Santos

A Bolsa do Café, na década de 1920

Bolsa do Café. Tesouro no Centro de Santos

Localizado no antigo “Quatro Cantos”, área nobre do Centro, o prédio da Bolsa Oficial de Café se deparava de um lado com o coração financeiro da cidade e do outro com o próprio porto, onde ocorriam os embarques do precioso “ouro verde”, como eram apelidados os grãos crus de café.

A Companhia Construtora de Santos, do engenheiro Roberto Cochrane Simonsen, cuidou do projeto e das obras. A construção da Bolsa de Café entrou na agenda nacional das solenidades referentes ao Centenário da Independência. Por isso, as obras se …

Leia mais

Publicado na Edição 249 Outubro 2015

Acervo FAMS

Cadeia Velha. Um patrimônio cultural santista

Cadeia Velha: símbolo da resistência artística e cultural de Santos

Cadeia Velha. Um patrimônio cultural santista

Conhecida originalmente como Casa de Câmara e Cadeia, a “Cadeia Velha” teve sua construção iniciada em 1839 no antigo Campo da Chácara (atual Praça dos Andradas). Foram necessários cerca de 30 anos para que fosse concluída. Em 1865, ela abrigou as tropas brasileiras que partiam para a Guerra do Paraguai. Em 1866 e instalou-se nela o Fórum e seu Tribunal de Júri.

Em 1870, passou a funcionar como a Cadeia de Santos, com oito celas. Assim foi por mais de 80 anos.

Em 15 de novembro de 1894, …

Leia mais

Publicado na Edição 248 Setembro 2015

Acervo FAMS

Anna Costa, a Champs-Élysées Santista

Avenida Dona Anna Costa: anos 30, vista do Monte Serrat

Anna Costa, a Champs-Élysées Santista

Dona Anna Costa, com duas letras “n” mesmo, na grafia original da época em que foi aberta a mando e expensas do marido, Mathias Casimiro Alberto da Costa, o dono da “Vila Mathias”. Nada poderia ser mais romântico do que criar uma via dedicada à esposa a partir de seu próprio “corpo”, quase uma simbiose equivalente a de Adão e a costela que devirou sua companheira Eva. E, assim como a lenda bíblica, onde a maçã da discórdia repeliu ambos do Paraíso para um mundo repleto de angústias, …

Leia mais