Edição 275Dezembro 2017
Domingo, 17 De Dezembro De 2017
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Publicado na Edição 272 Setembro 2017

Acervo FAMS

O bisavô dos quiosques da orla

Rara imagem da “Fructeira Paulista”, montada ao lado das cabines de banho dos hotéis Belvedere e Bandeirante, no Gonzaga

O bisavô dos quiosques da orla

Nas primeiras décadas do século XX, o cidadão que pretendesse tomar banho de sol ou de mar, deveria seguir até a orla vestido como se estivesse indo à missa de domingo. Não era raro ver os cavalheiros com terno e gravata e as senhoras com vestidos garbosos e elegantes. Aqueles que, realmente, tinham a clara intenção de aproveitar a praia, se utilizavam das cabines de banhos que alguns empreendimentos hoteleiros e até outros empresários que não eram do setor de hospedagem montavam na faixa de areia. Era lá, dentro daquelas pequenas cabines de madeira, que ocorria a transformação dos banhistas. De elegantes, saiam como se estivessem com um pijama para dormir.

O bisavô dos quiosques – Mas se você achou esquisito o departamento de vestuário praiano, o da gastronomia de final de semana não ficava muito atrás. Em 2009, a Fundação Arquivo e Memória de Santos recebeu, em doação, uma imagem raríssima, que revelava o provável primeiro estabelecimento de lanches da orla da praia de Santos, o “bisavô” dos quiosques! De propriedade do empresário José Baltazar Gião, um próspero comerciante de guloseimas, petiscos, bebidas e frutas, o lugar, chamado de “Fructeira Paulista” era uma espécie de trailer, a quem o proprietário chamava de “AutoBar”. E em seu pequeno estabelecimento à beira mar, Gião, com a ajuda de um funcionário elegantemente trajado, ofertava aos distintos clientes, toda sorte de castanhas, amêndoas, doces da fábrica santista A Leoneza, tremoços portugueses, variados tipos de pães, frutas e bebidas para todos os gostos, incluindo cervejas e refrescos, os preferidos da criançada. O AutoBar de Gião mantinha mesas embutidas na estrutura externa, as quais ele rodeava com práticas cadeiras de madeira dobráveis.

Guloseimas devidamente consumidas, trajes colocados, nada impedia, então e afinal, o santista de sorrir e mostrar o quanto era feliz em sua praia democrática.

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br