Edição 281Junho 2018
Sexta, 20 De Julho De 2018
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Publicado na Edição 276 Janeiro 2018

Acervo FAMS

A edificação mais antiga da Zona Leste

Casarão sede do Instituto Histórico e Geográfico

A edificação mais antiga da Zona Leste

Quem passa pela avenida Conselheiro Nébias, quase na esquina da rua Lobo Viana, bem defronte à rua Mato Grosso, pouco percebe a existência de um velho casarão que ali se encontra, acreditando ser apenas mais um dos tantos prédios antigos que ainda resistem ao tempo na mais longa via urbana santista. Ocorre que o sobradão de três pavimentos do número 689 da Conselheiro não é simplesmente mais um em meio aos antigos patrimônios edificados da Zona Leste santista, mas o mais antigo de toda a cidade, fora do Centro Histórico.

O edifício sede do Instituto Histórico e Geográfico de Santos (IHGS) foi construído em 1886, ainda no tempo do Império, época em que havia algumas poucas chácaras fora do perímetro da cidade de Santos, que terminava basicamente no bairro do Paquetá. O sobradão era justamente a sede de uma dessas chácaras. Em 1888, a casa acabou vendida para Francisco Frisoni, italiano de Gênova. Na época, o terreno era bem maior do que o atual e contemplava duas residências. Em 1903, o imóvel passou para as mãos do major Álvaro Ramos Fontes, que foi superintendente da Companhia Docas de Santos, de 1894 a 1919. Ele promoveu grande reforma no casarão, dotando-o de várias janelas no entorno. Quando faleceu, em 27 de fevereiro de 1928, deixou o bem como herança para três filhas.

Dez anos mais tarde, o Instituto Histórico e Geográfico de Santos se instalou no casarão, como inquilino das filhas do major Fontes, juntamente com a seção santista do Clube Zoológico do Brasil.

No início da década de 1940, as donas resolveram vendê-lo e a ofereceram ao IHGS, que não tinha dinheiro para tal aquisição. Foi então que o então presidente, Costa e Silva Sobrinho, teve a ideia de solicitar auxílio ao santista Valentim Bouças, que era um dos maiores economistas e financistas do país, além de importante membro do Governo Federal. Bouças era dono de grande riqueza e não se negou a ajudar.

Com a ajuda de Edgar Cerqueira Falcão, portador de algumas mensagens entre as partes, Bouças acabou cedendo a quantia necessária para Costa e Silva Sobrinho, na qualidade de presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, para a aquisição da casa em definitivo. Para registrar a história de tão generosa ajuda, a edificação foi batizada como “Edifício Valentim Bouças”, permanecendo até os dias de hoje, como “templo do conhecimento sobre a história e a geografia da nossa cidade de Santos”.

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br