Edição 273Outubro 2017
Domingo, 19 De Novembro De 2017
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Publicado na Edição 273 Outubro 2017

Acervo FAMS

Pioneira na beleza brasileira

A foto oficial que levou Zezé à conquista do Brasil

Pioneira na beleza brasileira

Organizado entre 1921 e 1922 pela Revista da Semana, em uma parceria com o jornal A Noite, ambos do Rio de Janeiro, a então capital federal, o primeiro concurso de alcance nacional para a escolha da mulher mais linda do Brasil movimentou a sociedade da época. A disputa se transformou numa autêntica febre, agitando os brasileiros de norte a sul, transformando a rotina de centenas de jovens, e belas, mulheres de mais de 100 cidades do país. Na reta final da prova, das 319 candidatas ao título de “Rainha da Formosura”, quatro se destacaram: Orminda Ovalle, de Ipanema (RJ), Dorothildes Adams, de Porto Alegre (RS), Hilda Luz de Castro, de Salvador (BA) e Zezé Leone, de Santos (SP). No dia crucial, 3 de abril de 1923, os juízes determinaram que seria a santista a candidata a ter o direito de levar para casa o tão sonhado prêmio, o de ser reconhecida como a mais encantadora entre as brasileiras.

Vida transformada

Assim, da noite para o dia, a vida de Zezé Leone, uma menina de classe média baixa, de cotidiano simples e sofrido, filha de um modesto trabalhador do porto e uma professora de piano, virou do avesso. Alçada a uma fama sem precedentes, a santista teve seu nome associado à beleza, à formosura, ao sucesso, tornando-se musa inspiradora para músicas, poesias, obras plásticas e, inclusive, para “batizar” uma locomotiva da Central do Brasil e, algum tempo mais tarde, um delicioso doce mineiro. Em meio à euforia nacional, um filme de cinema fora produzido, tendo a Rainha da Beleza como personagem central. A película lotou diversas salas de exibição nas principais capitais do país. Zezé posou para capas de revista, de jornais, de folhetins. Todos falavam ou queriam falar da Rainha da Beleza brasileira.

Porém, junto com a popularidade repentina, vieram os dissabores acessórios da fama. Tão logo foi anunciada como a vencedora do mais cobiçado prêmio da época, a jovem santista se viu rodeada de rivais invejosas, empresários inescrupulosos e figuras que só a adulavam, em busca de aproveitarem-se da sua notoriedade.

Zezé casou-se, no ano seguinte à sua coroação, com o então promissor advogado Lincoln Feliciano da Silva. Mas o romance durou pouco menos de dez anos. Separada, ela acabou se reclusando em São Paulo, fazendo questão de ser esquecida por todos. Morreu na véspera do seu aniversário de 63 anos, em 1965.

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br