Edição 294Julho 2019
Sábado, 24 De Agosto De 2019
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Publicado na Edição 286 Novembro 2018

Acervo FAMS

Escholástica Rosa

Berço do primeiro curso profissionalizante do Brasil

Escholástica Rosa

Formar trabalhadores capazes, qualificados e, acima de tudo, cidadãos conscientes. Este era o lema que norteava o pensamento de João Octávio dos Santos, responsável por criar, em 1908, um modelo de escola até então inédito no país. Sua instituição oferecia aos alunos mais do que a formação básica, mas algo que pudessem utilizar para a construção de suas vidas profissionais. Com a ideia, assim, nascia em Santos os primeiros cursos profissionalizantes do país (nutrição e metalurgia).

João Octávio era um vencedor nato. Ele superou todos os preconceitos próprios de uma sociedade rígida (era fruto de uma relação furtiva do respeitado Joaquim Otávio Nébias com uma negra escrava, Dona Escholástica). Diante disso, com muito trabalho e criatividade, lutou muito até que acabou por enriquecer exportando bananas. Ciente de seu passado, alimentava um sonho: o de construir um lugar para crianças órfãs ou menos favorecidas. A ideia era oferecer-lhes uma oportunidade extra para vencer na vida.

Quando inaugurou o imponente prédio da futura escola na Ponta da Praia, em 1° de janeiro de 1908, batizando-o como o nome da mãe negra (Escholástica Rosa), João Octávio já era o principal benfeitor da Santa Casa de Misericórdia e dono de diversas glebas de terra em Santos. O empresário, que cresceu sem a tutela do pai, tinha a ideia de fazer do local um imenso orfanato, mas percebeu que se fazia necessário oferecer mais do que abrigo àquelas crianças. Era preciso prepará-las para o futuro. Assim, quando fundou a escola, o fez com o objetivo de assegurar educação, cultura e profissão aos órfãos e bastardos, assim como ele.

O prédio – Projetado pelo renomado engenheiro Ramos de Azevedo, o prédio foi dividido em cinco blocos, semelhante a pavilhões hospitalares, interligados por galerias com arcos, criando um pátio interno. Em ambos os pavimentos, a madeira domina assoalhos, forros saia-e-camisa, portas de duas folhas e vidraças tipo guilhotina. O Escholástica Rosa abrigou o primeiro curso técnico do país (1908) e a primeira escola pública de ensino superior da Baixada Santista (1986). Pioneirismos marcantes em mais de 100 anos de história.

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos. Acesse o site www.fundasantos.org.br