Edição 327Abril 2022
Quinta, 26 De Maio De 2022
Editorias

Publicado na Edição 321 Outubro 2021

Divulgação

Teremos diesel e gasolina em novembro?

Petrobras refina 98% do petróleo no país e pede prazo para produzir

Teremos diesel e gasolina em novembro?

Nelson Tucci

O Brasil não é propriamente um país de marasmos. Volta e meia tem uma “novidade no ar”. Em pouco mais de um ano já vivenciamos as incertezas da vacinação contra a covid-19; acendeu o alerta da inflação e do abastecimento de alimentos; do volume de chuvas, que pode levar a um racionamento de energia; e, neste mês, surge a preocupação com o fornecimento do diesel e da gasolina para novembro. É emoção que não acaba mais…

Apesar de a historiografia oficial tentar nos convencer de que o brasileiro é um povo prostrado, servil, “de índole pacífica”, a coisa não é bem assim. Que o digam as Revoltas dos Malês e a dos Alfaiates, a Cabanagem, Sabinada, Balaiada, Farroupilha e por aí vai… Nos dias atuais, a sociedade – como um todo – é mais informada e parece ganhar voz ativa no dia a dia. Agora a “luta” é pelo abastecimento de combustíveis, simultaneamente ao de energia. E a grita já começou.

Embora a Agência Nacional do Petróleo (ANP) tenha negado, em nota, o desabastecimento, a Petrobras informou que os pedidos para a compra do diesel e de gasolina estão maiores em relação aos meses anteriores e da sua capacidade de produção. “Apenas com muita antecedência, a Petrobras conseguiria se programar para atender essa demanda atípica. Na comparação com novembro de 2019, a demanda dos distribuidores por diesel aumentou 20% e por gasolina foram 10%, representando mais de 100% do mercado brasileiro”, justificou a estatal. Ao que se depreende, portanto, a questão não é preço (uma vez que o diesel já é vendido a R$ 4,80 e a gasolina a mais de R$ 7 – dependendo do estado), mas planejamento, capacidade industrial de refino.

O Brasil tem 17 refinarias de petróleo (13 das quais pertencem à Petrobras e respondem por 98% da produção nacional), sendo a Replan, Refinaria de Paulínia, no interior de São Paulo, a maior em capacidade, com processamento de 69.000 m2/dia de petróleo. E como o país – grosso modo – produz um petróleo mais denso, precisa importar um pouco do petróleo fino para fazer o blend (a fim de formar a mistura que será levada à refinaria).

Tão logo surgiu a informação de uma eventual escassez de diesel no mercado, a Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Biocombustíveis (Fecombustíveis) se manifestou, em nota à imprensa, alertando sobre os cortes. Entidades representando caminhoneiros também gritaram, inclusive avisando os associados sobre o risco de desabastecimento de diesel.

O fato é que a Petrobras anda no olho do furacão. Como haverá eleição no próximo ano (para deputados federais e estaduais, 1/3 do Senado, governadores e presidente) é de esperar que haja mais críticas à companhia (de controle estatal), recheadas de emoções, pelos próximos meses.Leia Veículos & Negócios atualizada semanalmente em www.veiculosenegocios.blogspot.com.br

Responder