Edição 304Maio 2020
Sexta, 29 De Maio De 2020
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Publicado na Edição 299 Dezembro 2019

Acervo FAMS

América Latina romanceada

Contreras: “O Crocodilo” conquistou o prêmio APCA de melhor romance de 2019

América Latina romanceada

O escritor Javier Contreras foi entrevistado pelo Programa Memória-História Oral em 25 de outubro de 2017, no estúdio da Universidade São Judas – Campus Unimonte. Em seu depoimento, Contreras comenta sobre sua infância atribulada, em constante mudança por causa do trabalho do pai, sua carreira como jornalista e a afirmação como escritor.

FILHO de pais chilenos, Javier Arancibia Contreras nasceu em Salvador, Bahia, em 30 de novembro de 1976. Sua infância é marcada por um constante revezamento entre as praias baianas e o verde do interior do Paraná e, aos 9 anos, toda a família se muda para o Iraque, onde o pai foi trabalhar como engenheiro. Depois de três anos e meio, a família retorna ao Brasil, e por volta dos 16 anos Javier decidiu se tornar jornalista.

Vivendo desde a adolescência em Santos, Contreras se forma em Jornalismo no final de 1999 e seu trabalho de conclusão de curso, feito em parceria com mais dois estudantes – Vinicius Pinheiro e Fred Maia – resultou no livro reportagem “Plínio Marcos – A crônica dos que não tem voz”, editado pela Boitempo em 2002.

Após terminar a faculdade, trabalhou muitos anos como repórter policial na Grande São Paulo, ao mesmo tempo em que escrevia seu primeiro romance, “Imobile”, publicado em 2008 pela editora 7letras. Seu segundo livro, “O dia em que eu deveria ter morrido”, foi lançado em 2011 pela editora Terceiro Nome e marca a ascensão de Contreras como escritor de ficção.

Em 2012 Javier foi apontado pela prestigiada revista de literatura Granta, da Inglaterra, como um dos 20 melhores jovens romancistas brasileiros. A revista publica dois contos do autor, “Febre do Rato” e “Faísca”. Em 2017 Contreras lança mais um romance, “Soy loco por ty, América”, desta vez pela Companhia das Letras. A obra foi indicada como melhor livro do ano para o Prêmio São Paulo de Literatura e Prêmio Jabuti, este último considerado o mais importante prêmio para a literatura brasileira contemporânea.

O último romance de Javier Arancibia Contreras, “O Crocodilo” (Companhia das Letras, 2019), foi vencedor do prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) de melhor romance deste ano. A obra é uma reflexão do autor sobre o suicídio entre jovens: “O tema suicídio estava me incomodando inconscientemente na época em que comecei a escrever o livro. Relembrei algumas histórias de colegas do passado que haviam cometido suicídio e que na época haviam me deixado muito mal, e também de artistas brilhantes, aparentemente cheios de vida, como o ator e comediante Robin Willians, por exemplo”. A partir dessa reflexão Contreras passou a pesquisar o tema a fundo: “Fiquei impressionado e muito chocado com o número de cerca de 1 milhão de suicídios por ano no mundo. E isso me fez seguir em frente”.

A entrevista completa de Javier Arancibia Contreras pode ser acessada na página oficial do Programa Memória-História Oral no Youtube, através do endereço www.youtube.com/c/programamemoriahistoriaoral

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br

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