Edição 292Maio 2019
Terça, 25 De Junho De 2019
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Publicado na Edição 292 Maio 2019

Fotos Sandra Netto

Pelo desenvolvimento da região

Beschizza: “Incentivando o mercado imobiliário, o serviço e o comércio irão prosperar, pois isso acontece onde se tem habitação”

Pelo desenvolvimento da região

Sandra Netto

Fundada em 16 de julho de 1981, a Assecob, Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista, completa 38 anos de atividades, tendo o engenheiro civil Ricardo Beschizza (foto) como presidente do Conselho Administrativo. A cerimônia de posse aconteceu em abril passado – oportunidade em que Beschizza apresentou os novos diretores regionais de duas entidades parceiras: Lucas Muniz Elias Teixeira, que assumiu a função no SindusCon-SP, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo; e Ricardo Gobatti, no Secovi-SP, o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo.

Filiado à Assecob desde 2000, na gestão do engenheiro Manuel Tavares da Silva Filho, Ricardo Beschizza atua como empresário desde 2003, quando fundou a Besmon Empreendimentos Imobiliários em sociedade com Renato Monteiro. Nesta entrevista ele aborda as perspectivas de sua gestão, enfatizando que permanecerá fiel aos objetivos da Assecob, cujo foco é participar do desenvolvimento das cidades da Baixada Santista.

Qual a importância da Assecob para o mercado imobiliário e da construção civil da Baixada Santista? A Assecob foi criada num momento de modificação da lei de uso e ocupação do solo de Santos e de outras cidades da região. Mudanças com forte impacto no mercado imobiliário. Desde aquela época, passou a prevalecer o entendimento de organizarmos nossa participação nos Conselhos das administrações públicas, visando debates temas como código de edificação, plano diretor, proteção ambiental, zoneamento ecológico e econômico, enfim, tudo o que se relaciona ao desenvolvimento da cidade. Afinal, com desenvolvimento tem mercado imobiliário, se não tiver desenvolvimento, não tem mercado imobiliário.

Quais as prioridades de sua gestão? Temos o importante papel de passar a linguagem do mercado para as Prefeituras, para que essas necessidades se traduzam em legislação, visando com que o ordenamento jurídico potencialize desenvolvimento imobiliário, gerando desenvolvimento econômico-social.

Como o sr. avalia o mercado? Estamos vivendo um momento interessante, com a taxa Selic a 6,5%, o que faz baixar os juros para o financiamento habitacional. O mercado possui leis que garantem segurança para o empreendedor e o comprador, como alienação fiduciária, patrimônio de afetação, lei dos distratos, e recentemente a legislação da multipropriedade imobiliária. São normas que movimentam o mercado e que, bem utilizadas, geram desenvolvimento.

Qual a expectativa? Hoje a dinâmica do comprador é muito rápida, os anseios do cliente estão numa velocidade eletrônica. Por outro lado, nosso setor ainda funciona a médio prazo, exigindo tempo para o empresário comprar terreno, aprovar projeto, construir, o que pode levar de quatro a cinco anos. O segmento jovem, por exemplo, não enxerga o imóvel como patrimônio, mas como uma passagem da vida dele, numa escala veloz, que muda constantemente, admitindo, entre outros conceitos, o uso compartilhado.

Como é possível alavancar novos negócios em Santos? Entendo que é preciso produzir habitação para baixa renda no Centro da cidade. Incentivando o mercado imobiliário, o serviço e o comércio irão prosperar, pois é exatamente isso que acontece onde se tem habitação. Para isso, contudo, é preciso uma legislação que possa rever alguns níveis de proteção, pois hoje, além do Centro, há áreas de Santos que embora já possuam uma boa infraestrutura urbana (água, esgoto, energia, equipamentos públicos etc.), não conseguem alavancar o desenvolvimento imobiliário.

Percebe-se uma certa estabilidade no mercado em Praia Grande. Como o sr. avalia? Vejo Praia Grande como a cidade com maior potencial de expansão na Baixada Santista, que entende a responsabilidade de facilitar o esforço de quem está produzindo e ao mesmo tempo atender o anseio de quem quer comprar uma unidade imobiliária. Há um entendimento muito próximo da Prefeitura no sentido de que a legislação tem que estar de acordo com o mercado. Afinal, em última análise, é o mercado que vai determinar o que pode fazer e o que não pode, pois o empresariado quer construir para vender e vai transformar esses negócios em impostos para o município.

Há tendências que se destacam no mercado? Na verdade, o mercado imobiliário se demonstra cada vez mais segmentado. Hoje há uma vertente para os empreendimentos com compartilhamento de espaços (co-living, co-working) em algumas capitais do país. É necessário desenvolvermos produtos para as futuras gerações e para a Terceira Idade. Precisamos estar atentos para esta nova dinâmica do mercado, pois as mudanças estão acontecendo muito rápido.

Qual a expectativa em relação ao governo federal? Estivemos recentemente no 91º ENIC, Encontro Nacional da Indústria da Construção, promovido pela CBIC, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, a qual somos associados. Estavam presentes, entre outros, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que anunciou privatização de aeroportos e estradas e parcerias para a construção de ferrovias; o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que explanou sobre a simplificação dos procedimentos no licenciamento ambiental para a indústria da construção; e o ministro da Economia, Paulo Guedes, que colocou a importância fundamental da reforma da Previdência, que será a mãe de todas as reformas, para o destravamento da economia nacional. Também participou o presidente da Câmara, deputado federal Rodrigo Maia, que exaltou a confiança e a liderança no ministro Paulo Guedes no processo de aprovação da Reforma da Previdência, e que, juntamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, irão conduzir nas respectivas casas a aprovação da matéria nos próximo meses, para que o país tenha credibilidade e previsibilidade, as quais gerarão a confiança necessária para que os investimentos, internos e externos, possam promover o desenvolvimento da nossa nação. Estamos confiantes que com essas medidas, e outras que virão, os resultados econômicos positivos irão acontecer.

Corpo diretivo

Esta é a nova composição do corpo diretivo da Assecob. Conselho Administrativo: presidente, Ricardo Beschizza; vice-presidente secretário, Mateus Muniz Elias Teixeira; vice-presidentes, Antonio Manoel Lopes de Carvalho, Carlos Eduardo Azevedo Passos e Roberto Luiz Barroso Filho. Conselho fiscal: titulares, João Batista de Azevedo, Alcides Gonçalves Laureano e Alfredo Piedade Martins; suplente, João Carlos Ferreira Simões. Conselho deliberativo: presidente, Luiz Antonio Paiva dos Reis; vice-presidente, Gustavo Zagatto Fernandes.