Edição 308Setembro 2020
Quinta, 22 De Outubro De 2020
Editorias

Publicado na Edição 304 Maio 2020

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Setor unido, por sobrevivência

É forte o sentimento de solidariedade entre os elos da cadeia

Setor unido, por sobrevivência

Nelson Tucci

Ainda que a produção e as vendas reajam nos próximos meses, o que o setor espera, as vendas da indústria automobilística deverão ser pelo menos 30% menores em relação ao ano passado. Mas isto não é tudo. Se o crédito não chegar às pequenas e médias empresas, vai ter quebradeira. Pesquisa realizada pela plataforma Automotive Business aponta que o fôlego das menores deverá durar só mais 60 dias.

“Devemos trabalhar mais em rede, nos ajudar”, receita Gustavo Levy Canaan, diretor de Vendas da ArcelorMital, antevendo repasse da valorização cambial ao preço do aço. Em live promovida pela Automotive Business, da qual o Jornal Perspectiva participou como convidado, Luis Afonso Pasquotto, VP da Cummins Inc. e presidente da companhia no Brasil, disse que as prioridades da Cummins são a saúde dos funcionários, com adoção do isolamento e outras medidas protetivas; a manutenção da oferta de produtos críticos (motores, “que transportam alimentos, pessoas e geram energia”, destacou); sustentabilidade da companhia.

Já o presidente da Bosch América Latina, Besaliel Botelho reforçou o sentimento de solidariedade e união entre os elos da cadeia: “A situação é mais crítica entre as empresas menores, de capital nacional e já começamos a ver baixas na cadeia de valor. Esta é uma realidade inevitável e nós estamos desenvolvendo um trabalho para apoiar estes parceiros”.

A Bosch retomou a produção, a exemplo das demais empresas setoriais que, inclusive, foram a Brasília – através de representante – conversar com o presidente da República para ajudar na superação da crise. O fato é que a situação, atípica, leva os empresários a considerar “um dia como curto prazo, uma semana como médio e um mês como longo prazo”, ilustrou Canaan. Na opinião de Pasquotto, a nacionalização de produtos volta à pauta com toda força e afirma, categórico: “A normalidade só será restabelecida após a vacina contra a Covid-19; antes disso, não”.

Fortalecimento – Em outro debate online, com a participação de centenas de empresários do setor, o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Hilgo Gonçalves; o presidente da Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave), Alarico Assumpção Júnior; e o vice-presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), Enilson Sales, e o vice-presidente da Tecnobank, Luís Otávio Matias, confirmaram um entendimento comum objetivando “salvar e preservar vidas”, até para a continuidade dos negócios. Na falta de alternativa, comentaram, aderiram ao fechamento das concessionárias. Hoje, no entanto, já defendem uma abertura organizada, conforme a realidade de cada região. Anfavea, Fenabrave e Fenauto, inclusive, apresentaram propostas a governos estaduais sugerindo tal flexibilização com um protocolo de segurança.

“Temos, neste grupo, uma experiência enorme de se retomar os negócios, pois sabemos como lidar com crises – e não será diferente desta vez. Vamos sair fortalecidos e ainda mais unidos. Somos pessoas que apoiam pessoas e colocam as pessoas no centro das nossas decisões. Assim o mundo se acerta e nós acertamos o mundo”, acredita Luís Otávio.

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