Edição 284Setembro 2018
Terça, 16 De Outubro De 2018
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Publicado na Edição 284 Setembro 2018

Fotos Reprodução

O registro imagético da história

Foto de Evandro Teixeira: ícone da ditadura militar

O registro imagético da história

Leandro Ayres

NO SEXTO artigo da série sobre o Caminho da Fotografia, abordamos o Fotojornalismo. Dada a sua importância na história contemporânea, a fotografia documental talvez seja o segmento mais importante.

As imagens, perpetuadas em filme fotográfico ou em pixels, nos mostram uma narrativa, dentre tantas possíveis, de um fato acontecido. Desta forma, o feeling do fotógrafo é o grande diferencial entre uma foto ordinária e uma foto vencedora de um prêmio Pulitzer, por exemplo. O fato é que o fotojornalista nunca está neutro diante de um acontecimento. O seu recorte da imagem já é por si só uma edição da realidade, um ponto de vista, uma tendência, que muitas vezes obedece a uma certa linha editorial do veículo para qual a fotografia será destinada.

A partir da década de 20, com a evolução do processo fotográfico, as câmeras começaram a ficar menores e portáteis, e os jornalistas tiveram nas mãos uma nova ferramenta para descrever as cenas vividas. Neste período surgiram nomes que até os dias atuais nos servem de referência quando o assunto é fotojornalismo. O fotógrafo húngaro naturalizado norte americano Robert Capa é certamente um dos mais citados graças à relevância dos seus trabalhos. Registrou com sua Roleiflex o desembarque dos soldados aliados na Costa da Normandia, na França, o chamado “Dia D”, durante a Segunda Guerra Mundial, para citar apenas um dos seus diversos trabalhos catalogados. Contemporâneo a Capa, o fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson tem o seu nome imortalizado no fotojornalismo por registrar os últimos dias de Mahatma Gandhi, por ser o primeiro europeu ocidental a documentar a vida na União Soviética livremente e por ser um dos pioneiros a unir arte ao fotojornalismo. É considerado por muitos o pai da fotografia moderna.

Capa, Bresson, George Rodger e David Seymour tinham em comum as marcas da guerra que haviam registrado em seus corpos, mentes e lentes, além da paixão pela fotografia. Em 1947, criaram a Magnum Photos, com o objetivo de refletir a sua natureza independente. A sua existência está intrinsecamente ligada à história do fotojornalismo. O site www.magnumphotos.com apresenta a história da agência, hoje com quatro escritórios (aos históricos de Paris e Nova Iorque juntaram-se os de Londres e Tóquio), mas também alguns dos trabalhos fotojornalísticos em curso.

O Brasil também é celeiro de grandes nomes do fotojornalismo, dentre os quais Evandro Teixeira, que tem o seu currículo inserido na enciclopédia suíça de fotografia, e Sebastião Salgado, que já publicou 12 livros com trabalhos autorais, ambos premiados no Brasil e internacionalmente.

O fotógrafo jornalístico tem uma das profissões mais difíceis. Seus clientes são as agências de notícias e é preciso estar devidamente credenciado (ou bem infiltrado) para conseguir uma imagem exclusiva que poderá lhe render um bom dinheiro. Mas, imagine a rotina de um fotógrafo de guerra, por exemplo! Há ainda outras áreas do fotojornalismo mais “amigáveis”, como o fotógrafo de atividades esportivas, artísticas ou sociais. A regra de estar no lugar certo, na hora exata, vale para todos.

SERVIÇO – Studio Photo Café / Museu do Café. Rua XV de Novembro, 95, Centro Histórico de Santos. De terça-feira a sábado, das 9 às 18 horas, e aos domingos, das 10 às 18 horas. (13) 3213.1750.

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