Edição 271Agosto 2017
Quinta, 21 De Setembro De 2017
Editorias

Publicado na Edição 253 Fevereiro 2016

Parabéns, criatura!

Luiz Carlos Ferraz

Quisera eu fosse um poeta para ter a inspiração de escrever tudo que tenho vontade, ou necessidade, sobre a mulher, à guisa de marcar mais um Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, ainda que haverá quem me alerte que todos os dias deveriam ou já seriam dedicados a ela, a mulher. A bem da verdade, contudo, os dias não são e talvez nunca o tenham sido… e, na minha visão pragmática de vida, parece que hoje nenhum lhes é concedido em tributo, tão forte é a cultura desfavorável quando se trata de elencar ou comparar seus direitos naturais. A marca, neste contexto, ao contrário de celebrar as virtudes alardeadas na poesia, assume o tom de denúncia e de indignação, face a tanta crueldade que no dia a dia é praticada contra a mulher, seja ela criança, adolescente, adulta ou idosa – e aí estão as campanhas de proteção, que proliferam e não me deixam mentir ou beirar o exagero. Embora possa correr o risco de parecer preconceituoso, partindo da constatação de que, em relação ao homem, ela poderia ser mais frágil, a verdade é que a mulher continua sofrendo, algumas vezes caladas, outras nem tanto, contra atitudes arraigadas em nossa sociedade, que majoritariamente têm no homem o seu mentor e executor, mas que, muitas vezes, nos dá a impressão de que é a própria ficção da instituição jurídica que está contaminada (pela falsidade de sua concepção!) para deliberar de forma desvantajosa quando se trata de atender a mulher. Chego a imaginar que as máquinas, especialmente quando elas foram submetidas à eventual programação de um homem, conspirem contra a mulher! Não, não estou querendo fazer graça. Até em relação à estatística, cuja ciência como se sabe foi desenvolvida por gênios masculinos, quem se dispuser a avaliar uma comparação de gênero, seja qual for o segmento, não haverá um em que a mulher será classificada numa posição privilegiada – restando tão somente ao poeta, até de uma maneira insistente, ou ao Criador, de forma definitiva, a tarefa de mostrá-la como é e haverá sempre de ser: nem mais, nem menos, nem melhor, nem pior, simplesmente, uma criatura. O que, convenhamos, não é pouco. Parabéns, a todas as mulheres do mundo!