Edição 292Maio 2019
Terça, 25 De Junho De 2019
Editorias

Publicado na Edição 292 Maio 2019

Consciência racista

Luiz Carlos Ferraz

Diante das ações desencadeadas de forma orquestrada pelo grupo que assumiu o poder, parece restar pouca dúvida sobre o esforço da máquina em reforçar, sem constrangimento, uma certa e odiável consciência racista no país. Tal artimanha, queremos crer, não prosperará, pois o planeta está atento aos descompassos da paródia governamental. Cumpre notar que não se trata (apenas!) de brancos x negros ou cousa que o valha, mas do racismo na acepção da palavra, que atinge mais diretamente os negros, mas que – sobejamente conhecido – abarca populações excluídas, sendo estas negras, pardas, vermelhas, amarelas e brancas também. Forjado na miscigenação… este nosso Brasil, plural, abriga homens e mulheres valorosos em sua essência – sejam estes brancos, negros e pardos ou vermelhos – dotados de discernimento e que continuarão resistindo e denunciando o perverso plano de aumentar o abismo social. Exposto de forma emblemática no anunciado bloqueio de recursos destinados a universidades e institutos federais – mal e porcamente comparado pelo ministro Abraham Weintraub, da Educação, como uma retirada de “três chocolatinhos e meio” de um total de 100 (além da comparação infantil e estúpida, a conta está errada, pois um terço de 100 seriam 33 chocolatinhos!). Reduzir os recursos em mais de 1/3 para a educação pública é atirar o país no atraso. São trevas que, em última análise, servirão de alento às escolas privadas e à ínfima parcela da população que pode arcar com os seus altos custos. Encurralar os jovens brasileiros, socialmente vulneráveis, via subtração do conhecimento é torná-los ainda mais frágeis para disputar vagas em um mercado de trabalho cada vez menor e competitivo.

Neste quadro real, que nos é apresentado pelos senhores do poder, dá para projetar o futuro imediato, com desemprego, violência e o recrudescimento deste racismo estrutural, espremendo as camadas mais pobres do país. E, depois dos estudantes, será a vez dos trabalhadores, já “contemplados” com a redução e a simplificação de 90% nas normas de Segurança no Trabalho.