Edição 287Dezembro 2018
Quarta, 12 De Dezembro De 2018
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Publicado na Edição 286 Novembro 2018

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Economia e produtividade

Solução auxilia softwares na modelagem de edificações

Economia e produtividade

Criados inicialmente para auxiliar exércitos em missões de espionagem, os drones vêm ganhando novas utilizações em diversos setores da sociedade. Na construção civil, as pequenas aeronaves não tripuladas já são consideradas soluções viáveis para reduzir o tempo de obras e auxiliar os softwares na modelagem de edificações.

“Equipados com sensores, os drones podem ser usados para capturar uma enorme gama de dados, tornando mais eficientes vários processos da construção”, explica o engenheiro Roberto de Souza, idealizador da Rede Construção Digital, iniciativa que reúne 32 empresas do setor, entre construtoras, incorporadoras, projetistas e fabricantes, para debater como novas tecnologias podem otimizar processos e solucionar fluxos defasados do setor.

“Os trabalhos de inspeção, que costumam demorar semanas, agora serão realizados em apenas alguns dias. O mapeamento da área a ser construída é outro processo da construção que pode se apropriar de análises dos drones, através de modelos em 3D ou simulações em realidade virtual gerados pelas imagens aéreas”, afirma Roberto.

Para a EmDrones, empresa especializada nesses veículos autônomos, os drones já são realidade dentro de obras. Um dos usos mais recentes foi em estádios de futebol, onde os aparelhos foram equipados com sensores específicos para estudar “buracos” na transmissão de wi-fi nas arquibancadas. “Com a câmera terrestre, registramos as áreas internas das estruturas, as lajes já sobrepostas e seus acabamentos e pontos de passagens. Já com a câmera aérea, dos drones, registramos as áreas externas, lajes em construção, telhados e fachadas. São registros complementares e que são escolhidos de acordo com a necessidade e possibilidade de manejo de dados de cada empresa”, conta Eduardo Machado, sócio-fundador da EmDrones.

Nas rotinas da construção, caberão aos drones auxiliar desde processos de segurança do trabalho, inspeção de obras a lançamentos de empreendimentos. Neste último caso, empresas poderão produzir vídeos e fotos com dados captados pelos veículos, gerando simulações e permitindo aos clientes visualizarem todas as áreas de um projeto antes que ele seja finalizado.

Para Machado, os drones permitem múltiplos usos no mercado: “É quase imensurável o universo de economia que o setor da construção pode obter ao usar drones e captura de realidade. Mas temos que ter em vista que cada empresa e segmento terão suas particularidades e níveis de aproveitamento das informações”.

Após a análise do uso de drones pela Rede Construção Digital, foi criado um grupo para estudar a viabilidade de novos projetos com essa tecnologia. AutoDoc, Gafisa, França & Associados, Saint-Gobain, CTE, Alphaville Urbanismo, Maply e EmDrone, que compõem este coletivo, discutirão três iniciativas sugeridas e selecionadas pela RCD: integração de dados coletados por drones com dados de softwares para modelagem de informações (BIM); aferição da qualidade entre o planejado e o executado em obras; integração entre softwares e drones para gerarem “as built” – controle do que foi construído – e revisões de projetos.

Para Roberto, a união de empresas da construção civil é necessária num processo de reciclagem do setor: “Cada período necessitou de questionamentos. Nos anos 1990, o debate dentro da construção civil girava em torno da qualidade, as certificações. Já no começo dos anos 2000, veio a questão da sustentabilidade. Agora, é hora de pensarmos na transformação digital”.