Edição 308Setembro 2020
Quarta, 21 De Outubro De 2020
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Publicado na Edição 304 Maio 2020

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Gordofobia. Combatendo com informação

O estigma e a discriminação pelo peso não podem ser tolerados

Gordofobia. Combatendo com informação

Neologismo criado para indicar o preconceito de pessoas que julgam o excesso de peso e a obesidade como um fator que mereça desprezo, a gordofobia deve ser combatida com informação, afirma a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (Sbcbm). “Evidências científicas mostram que o aumento de peso não ocorre apenas por falta de disciplina ou de responsabilidade pessoal, mas sim por efeitos biológicos, metabólicos e genéticos”, explica o vice-presidente da entidade, Fábio Viegas.

No Brasil, uma em cada cinco pessoas está com sobrepeso ou obesidade segundo dados do Ministério da Saúde. A projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que cerca de 2,3 bilhões de pessoas estejam acima do peso, sendo 700 milhões obesas, até 2025.

O presidente da Sbcbm, Marcos Leão Vilas Bôas, lembra que a sociedade atua em campanhas voltadas ao estigma da obesidade e visando informar a população sobre medidas de acolhimento das famílias e pacientes com obesidade.

Além das doenças associadas à obesidade, como o diabetes e a hipertensão, essas pessoas enfrentam grave estigma social. Um periódico científico publicado pela Nature Medicine, assinado por mais de 100 instituições de todo o mundo, incluindo a Sbcbm, constatou que o preconceito contra a obesidade compromete a saúde, dificulta o acesso de pessoas acima do peso ao mercado de trabalho e a tratamentos adequados, afeta suas relações sociais e a saúde mental.

Dados desta revisão apontam que entre os adultos obesos, cerca de 19% a 42% sofrem com a discriminação. A taxa é maior principalmente entre as mulheres e naqueles em que o Índice de Massa Corporal (IMC) são maiores.

Estudos apontam que crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade vítimas de bullying são significativamente mais propensos a sofrer com ansiedade, baixa autoestima, estresse, isolamento, compulsão alimentar e depressão se comparado com adolescentes magros.

Recentemente, a gordofobia foi utilizada para desqualificar o trabalho de parlamentares no Brasil, afastando pessoas gordas dos espaços de participação política. Deputados Joice Hasselmann, Rodrigo Maia e Sâmia Bonfim foram alvos.

Segundo a psicóloga Michele Pereira, coordenadora do Núcleo de Saúde Mental da Sbcbm, a gordofobia reforça preconceitos e sofrimento daqueles que não atendem ao padrão estético: “O aspecto físico não interfere nas outras capacidades. Não há conexão direta sobre a doença obesidade e as capacidades cognitivas. Já o sofrimento emocional e a marginalização por conta da obesidade, sim, podem levar a prejuízo em outras áreas da vida. Precisamos encontrar meios de combater todas as formas de discriminação”.

Para o psiquiatra Hélio Tonelli, que também integra o Núcleo de Saúde Mental da Sbcbm, a sociedade ainda não se atentou que a gordofobia pode até ser comparado a crimes relacionados com preconceitos por raça, sexualidade e gênero e origem, o que equivale ao assédio moral.

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