Edição 308Setembro 2020
Quinta, 22 De Outubro De 2020
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Publicado em 24/01/2020 - 7:18 am em | 0 comentários

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Operação Areia Limpa combate e previne poluição marinha

Bituca de cigarro: segundo material mais encontrado, após o plástico

Operação Areia Limpa combate e previne poluição marinha

Amanhã tem início o programa operação Areia Limpa, que acontece no âmbito do projeto Lixo Fora D’Água, de combate às fontes de poluição marinha por resíduos sólidos. A iniciativa é da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Santos e apoio da Agência de Proteção Ambiental da Suécia.

Desde sua concepção, em junho de 2018, o projeto identificou as principais fontes de vazamento e tipos de resíduos encontrados nos oceanos, e tem estudado de que forma os municípios devem atuar para aprimorar a gestão de resíduos sólidos em terra, para prevenir o lixo no mar.

Com base em uma metodologia inédita no país, desenvolvida a partir de monitoramento técnico, estudos antropológicos e análises comportamentais,  a Operação Areia Limpa acontecerá por 30 dias e aliará melhoria da gestão de resíduos, padrões de comportamento, consumo e interação com o espaço público da praia.

Para a implantação do piloto foram selecionadas duas barracas na praia de Santos – Pirata, no Gonzaga, e Mar e Sol, no Embaré –, que receberão novo mobiliário e acessórios, como mesa de apoio com lixeira; taças e copos retornáveis; canudos compostáveis que serão segregados e, ao final do projeto, levados para compostagem; bituqueiras individuais de bamb; e carrinho coletor (de 100 litros) para limpeza frequente ao longo do dia, além de placas sinalizadoras e um “cardápio” com informações sobre descarte e sobre a operação.

“É a primeira vez que uma ação de prevenção e combate ao lixo no mar é pensada e implementada a partir de estudos metodológicos multissetoriais, com a execução idealizada a partir da prototipagem de soluções que tenham viabilidade econômica, técnica e operacional com vistas à mudança de comportamentos para que se possa alcançar o objetivo maior de reduzir a quantidade de resíduos que vão parar no mar”, comenta Carlos Silva Filho, diretor presidente da Abrelpe.

Os resultados do projeto desenvolvido em Santos indicam que são três as principais fontes de vazamento de lixo no mar: comunidades nas áreas de palafitas; os canais de drenagem que atravessam a malha urbana; e a própria orla da praia em sua faixa de areia. Dos mais de 80 tipos de resíduos já encontrados nos mares conforme classificação internacional, o projeto em Santos encontrou cerca de 35 tipos, como embalagens, calçados, fraldas, utensílios domésticos, brinquedos, dentre outros.

O diagnóstico da entidade aponta que os materiais plásticos aparecem em primeiro lugar: 52,5% de todos os resíduos coletados, e de forma variada, como plástico filme, pequenos tubos plásticos, hastes plásticas e isopor, que contém plástico em sua composição. O outro material de grande concentração nas fontes de vazamento é a bituca de cigarro, responsável por 40,4% do lixo coletado. E na sequência aparecem borracha, metal, madeiras, embalagens e outros (7,11%).

Indicadores internacionais mostram que cerca de 80% do lixo marinho tem origem no ambiente terrestre; e, no Brasil, mais de 2 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos vão parar nos rios e mares todos os anos, quantidade suficiente para cobrir 7 mil campos de futebol. Esse total pode ser ainda maior já que as 30 milhões de toneladas de lixo que seguem para destinação inadequada, ou seja, lixões e aterros controlados, que ainda existem em todo o país, podem acarretar um acréscimo de 3 milhões de toneladas de lixo marinho a cada ano.

O projeto Lixo Fora D’Água acontece simultaneamente em outras seis cidades da costa brasileira: Balneário Camboriú (SC), Bertioga (SP), Fortaleza (CE), Ipojuca (PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Luís (MA). Para essas cidades também serão elaborados diagnósticos individualizados, cujas ações de prevenção, limpeza e monitoramento do lixo no mar serão desenvolvidas e implementadas com base no aprendizado desenvolvido inicialmente em Santos.

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