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Publicado em 13/12/2018 - 8:00 am em | 0 comentários

Raimundo Rosa/Secom-PMS

Obra contra erosão revela eficiência na Ponta da Praia de Santos

Divulgado balanço dos seis primeiros meses de ação dos bags

Obra contra erosão revela eficiência na Ponta da Praia de Santos

“Revertemos uma tendência de erosão. Estamos conseguindo fazer a natureza trabalhar com a gente”. A avaliação foi apresentada pelo professor e pesquisador da Unicamp, Tiago Zenker, sobre os primeiros meses do projeto piloto que instalou bags de contenção no mar da Ponta da Praia, em Santos, com o intuito de diminuir a energia das ondas e, principalmente, armazenar areia.

Ao contrário de anos anteriores, em que a extensão da Ponta da Praia perdia cerca de 10cm de areia por ano, o último levantamento da obra mostra acúmulo de 9,3 mil metros cúbicos de areia em 2018, revertendo em 20 centímetros de elevação média, no período de janeiro a 24 de outubro. Desde a conclusão da obra, em 14 de abril, foram 13 centímetros.

Devido a ações judiciais, a obra que deveria ter iniciado no final de 2017 foi retomada sem novas interrupções em março deste ano, sendo concluída no mês seguinte, quando tem início o período maior de ressacas (que segue até outubro) e menor possibilidade de sedimentação de areia. Mesmo assim, o acúmulo de areia foi identificado. A expectativa é de que, até o fim do verão, quando as ondas estão mais baixas, a conquista seja ainda maior.

As próximas medições ocorrerão entre a segunda quinzena e o início de fevereiro e o fim de março de 2019; e seguirão por mais quatro anos no mínimo, de acordo com o convênio assinado entre a Prefeitura e a Unicamp, que não gerou qualquer custo ao município.

“Escolhemos o modelo certo em vista dos resultados apresentados”, afirma Ernesto Tabuchi, coordenador do Grupo Técnico de Trabalho da obra e secretário-adjunto de Meio Ambiente.

O projeto-piloto da Ponta da Praia consiste na instalação de uma barreira submersa com 49 bags (saco geotêxtil) em formato de “L”. Cada saco contém 7 mil metros cúbicos de areia.

A estrutura perpendicular à praia, de 275 metros e instalada a partir da mureta na altura da Rua Afonso Celso de Paula Lima, tem a função de diminuir a energia das ondas. Já a estrutura paralela à praia, de 240 metros de extensão, tem o objetivo de ajudar a armazenar areia.

O balanço dos seis primeiros meses de ação dos bags na Ponta da Praia apontou ainda para um resultado diferente do que era previsto no estudo: quando há ressaca, parte da areia que deveria ficar retida no L formado pelos bags é empurrada em direção ao canal 6.

“Como só conseguimos fazer a instalação no final do verão, acreditamos que os bags estejam em uma cota mais alta de areia. As ondas que a atingem paralelamente perdem energia, mas as que chegam nos bags perpendiculares giram e espalham a areia. Quando não há eventos extremos, a areia volta a acumular. O acúmulo está sendo mais lento em um trecho específico”.

Vale lembrar que, há mais de cinco anos, a Prefeitura retira areia de outros pontos da praia, em especial entre os canais 1 e 3, e os leva para a Ponta da Praia, de forma a garantir a permanência da faixa de areia por lá. Esse trabalho continua, independentemente do projeto piloto.

“A diferença é que antes, mesmo com todo o esforço, perdíamos cerca de 10 centímetros de areia acumulada. A partir deste ano, vamos conseguir reter”, comemora Fabiana Pires, secretária de Serviços Públicos.

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