Edição 273Outubro 2017
Domingo, 19 De Novembro De 2017
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Publicado em 11/11/2017 - 8:23 am em | 0 comentários

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Governo Federal amplia rede de assistência às crianças com microcefalia

127 novos serviços de saúde foram habilitados

Governo Federal amplia rede de assistência às crianças com microcefalia

Após dois anos das primeiras descobertas que relacionaram o aumento dos casos de microcefalia e outras alterações em bebês infectados pelo vírus Zika, familiares e crianças afetadas vivem uma nova realidade no país. Para garantir a qualidade de vida dessa população, os serviços para atendimento e acompanhamento no Sistema Único de Saúde (SUS) foram ampliados. Desde 2015, foram habilitados 127 novos serviços, sendo 63% na região Nordeste, a mais afetada pelo vírus Zika. Ao todo, são 2.323 serviços de reabilitação no país. Somente no tratamento dos bebês, o Governo Federal investiu mais de R$ 160 milhões. A rede de cuidados, que oferta serviços como fisioterapia e apoio psicossocial, é essencial para estimular o desenvolvimento das crianças.

O Brasil é reconhecido na literatura nacional e internacional por estabelecer a associação entre a ocorrência de casos de microcefalias com a infecção pelo vírus Zika. “Isto só foi possível graças ao empenho das sociedades médicas, instituições de pesquisa nacionais e profissionais de saúde, que se uniram em prol de um objetivo comum que era a elucidação da ocorrência do aumento dos casos, em especial nos estados da região nordeste”, afirma o diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Márcio Garcia.

Além de ter o acesso facilitado aos serviços de saúde, as famílias podem contar também com o apoio do Benefício de Prestação Continuada (BPC), uma parceria entre as redes SUS e a Assistência Social (SUAS). Foram concedidos mais de 2,2 mil benefícios para famílias de crianças nascidas com microcefalia desde 2015.

Mesmo com a estabilização no número de casos registrados, o Ministério da Saúde continua investindo na assistência, pesquisa e prevenção. Entre as próximas ações, está a destinação de R$ 27 milhões para ampliar e qualificar os serviços na Atenção Básica, por meio dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASFs). Os valores serão destinados à aquisição de kits para reforçar a estimulação precoce e para fortalecer os serviços de avaliação, diagnóstico e acompanhamento dos casos confirmados e em investigação. Serão destinados cerca de R$ 2,2 mil para cada criança investigada, repassados a estados e municípios. A iniciativa tem como objetivo melhorar o cuidado e organização de toda a rede assistencial. A qualificação das informações referentes à avaliação dos casos permitirá estruturar as evidências sobre a síndrome e apoiar o desenvolvimento de pesquisas.

Para garantir o acesso ao cuidado e a proteção social dessas famílias, os ministérios da Saúde e Desenvolvimento Social criaram a Estratégia de Ação Rápida, no início de 2016. A partir da busca ativa dessas crianças, foram esclarecidos mais de 6.690 casos.

Desde o início das investigações, em outubro de 2015, até 26 de agosto deste ano, foram notificados 14.558 casos suspeitos de alterações no crescimento e desenvolvimento possivelmente relacionadas à infecção pelo vírus Zika e outras etiologias infecciosas. Deste total, 3.019 (20,7%) permanecem em investigação, 6.452 (44,3%) foram descartados, 2.952 (20,3%) foram confirmados e 210 (1,4%) foram classificados como prováveis para relação com infecção congênita durante a gestação. Além disso, 1.925 (13,2%) casos foram excluídos após criteriosa investigação, por não atenderem às definições de caso vigentes.

Nestes dois anos, foram destinados R$ 465 milhões para o desenvolvimento de vacinas, soros e estudos científicos para as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Em setembro de 2017, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, firmou parceria com o secretário de Saúde dos Estados Unidos, Thomas Price, para a produção da segunda etapa da vacina contra o vírus Zika. Nesta fase, a vacina produzida pela Fiocruz/Biomanguinhos será testada em humanos. Os testes devem se iniciar dentro de um ano, após a produção dos lotes clínicos, avaliações pré-clínicas e a aprovação pelo comitê de ética.

Outras 71 pesquisas estão em andamento no país, com o objetivo de contribuir para a prevenção, diagnóstico e tratamento de infecções causadas pelo Zika e doenças correlacionadas. Os projetos foram selecionados em edital conjunto com o Ministério da Educação e o da Ciência, Tecnologia e Inovação, no valor de R$ 65 milhões. O primeiro seminário de avaliação parcial destes estudos está previsto para março de 2018.

Além do investimento em novas tecnologias, as medidas de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti permanecem contínuas. Desde a identificação do vírus Zika no Brasil, o Ministério da Saúde tem promovido uma série de ações em conjunto com governos estaduais, municipais, organizações da sociedade civil e entidades de classe. Essa estratégia, aliada à mobilização da população em geral, tem contribuído para a diminuição dos casos de Zika e, consequentemente, também da microcefalia e outras alterações em bebês. Os recursos para ações de vigilância de estados e municípios, que inclui o combate ao mosquito, deverão chegar a R$ 1,9 bilhão em 2017.