Edição 271Agosto 2017
Quinta, 21 De Setembro De 2017
Editorias

Publicado em 21/03/2016 - 5:55 pm em | 0 comentários

Governança é condição para o sucesso ambiental

“A análise ESG é o futuro da gestão de recursos. E o futuro é hoje”, disparou Alexandre Fischer, gerente de Operações da Abrasca, na 2ª Conferência sobre Mudanças Climáticas e Mercado de Capitais – Green Future, Green Business, Green Finance, realizada quarta-feira da semana passada 16, na BM&FBovespa, em parceria com o CDP (Driving Sustainable Economies). Na oportunidade 150 pessoas, do Brasil e exterior, participaram do evento, debatendo os resultado da COP 21 e instrumentos de financiamento para uma economia verde.

Pedro Faria, diretor técnico, e Chris Fowle, vice-presidente de Iniciativas com Investidores, falaram em nome do CDP analisando os resultados da COP 21, realizada em Paris. Ao lado de Emir Borovac (Nordea), Paco Debonnaire (Moody´s), Heloisa Schneider (Cepal/Euroclima), Sorange Antoine (Amundi) e de Annelise Vendramini (FGV), que relatou a experiência da Febraban com Fundos que focam a economia verde, no Brasil, debateram instrumentos de financiamento para formulação de estratégias de negócios e implementação de programas dentro dos novos cenários regulatórios e cada vez mais competitivos.

Juliana Lopes, diretora do CDP para a América Latina, lembrou dos riscos que as cidades devem levar em consideração, “como as mudanças climáticas, ondas migratórias, conflitos e catástrofes ambientais. “Em um período analisado de 250 anos, vê-se que metade das emissões ocorreram nos últimos 30 anos”, relatou seu colega Chris Fowle, VP do CDP, acrescentando que a energia elétrica e os combustíveis fósseis respondem por 70% das emissões de carbono na natureza.

“Os investidores podem conduzir as mudanças; os governos são lentos”, disse Fowle, frisando, no entanto, que é preciso existir fontes de informação seguras para os investidores.

CONSCIÊNCIA – “Qual o sentido das pessoas consumirem menos?” – indagou Pedro Kurbhi, da EDP. O executivo disse que a companhia faz um persistente trabalho de conscientização junto a seus consumidores, uma vez que “o uso inadequado de recursos não gera bom ambiente de negócios”, destacou. Ainda de acordo com Pedro Kurbhi, a EDP reduzirá 75% de suas emissões até 2030.

Produtor de enzimas à base de microorganismos (insumos para a indústria de alimentos, para o biodiesel etc.), Pedro Fernandes, da Novozymes, revelou o propósito de substituir os combustíveis fósseis de imediato e, paralelamente, reduzir a emissão de carbono em toda a cadeia – do produtor ao consumidor. E ilustrou: “Eu sei quanto eu e o meu cliente deixamos de emitir a partir de 1 Kg de enzima produzida”. O VP da multinacional dinamarquesa, há 41 anos no Brasil, falou em metas reducionistas de carbono na companhia e animou-se com o fomento à economia verde.

Objetivamente, como um banco pode ajudar na redução de emissões? Responder a esta pergunta foi o desafio de Linda Murasawa, superintendente executiva e de sustentabilidade do Santander. Ela abordou a mitigação de riscos, discorreu sobre cadeias produtivas e argumentou: “A hora que você direciona o capital induz o desenvolvimento dos setores”. Linda Murasawa destacou o binômio tecnologia e inovação enfatizando que é possível duplicar alimentos, sem o uso de 1 hectare de terra a mais. Falou também de energia fotovoltaica e agricultura de baixo carbono. E para mostrar que antes do discurso já fez a lição de casa, contou que o prédio matriz do banco, em São Paulo, que abriga cinco restaurantes e por onde circulam 7.000 pessoas por dia, tem emissão zero de carbono.

O evento foi considerado propositivo pelos organizadores, uma vez que caminhos foram apontados. “Atualmente 6,5% do PIB mundial vão para subsidiar combustíveis fósseis. Reduzir o percentual já será um bom começo”, pontuou Matheus de Brito (Way Carbon), no painel sobre Iniciativas Voluntárias, que também contou com a participação das diretoras Sonia Favaretto (Sustentabilidade) e Cristiana Pereira (Empresas), da BM&FBovespa, que ressaltaram algumas das inúmeras iniciativas em prol da transparência que são conduzidas pela Bolsa. Em sua intervenção, Sonia Favaretto comentou os 13 anos do ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial, o sucesso da iniciativa de “Relate ou Explique” que conta com a adesão de mais de 70% das companhias listadas e lembrou que a então Bovespa, atual BM&FBovespa, foi a primeira Bolsa mundial a aderir ao pacto global.

Uma das importantes conclusões do evento é que a qualidade das informações da dimensão ESG – Environmental, Social & Governance – na análise de investimentos será ponto nevrálgico nas discussões envolvendo os stakeholders quanto ao desenvolvimento de uma economia de baixo carbono. Nesse sentido, Alexandre Fischer destacou a necessidade de o setor privado intensificar seus esforços: “Governos tem menos agilidade em reagir que as empresas e entidades não governamentais”. Segundo o gerente de Operações da Abrasca, o ICO2 – Índice de Carbono Eficiente, o ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial, a precificação do carbono e o próprio questionário conduzido pelo CDP são iniciativas voluntárias, lideradas por agentes não governamentais com apoio das empresas e da academia que estão pavimentando a estrada para esse futuro cada vez mais próximo.