Edição 272Setembro 2017
Sábado, 21 De Outubro De 2017
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Publicado em 28/09/2016 - 9:30 am em | 0 comentários

Divulgação/Fundação Boticário

Após 20 anos, registro de queixada no Parque Nacional do Iguaçu

Queixada (Tayassu pecari) flagrada: risco de extinção

Após 20 anos, registro de queixada no Parque Nacional do Iguaçu

Câmeras espalhadas pelo Parque Nacional do Iguaçu, no Oeste do Paraná, registraram imagens de queixadas (Tayassu pecari) – animais também conhecidos como porcos-do-mato – que não apareciam na região há mais de duas décadas. A descoberta surpreendeu os pesquisadores de um projeto que monitora a fauna do parque, apoiado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Segundo Carlos Rodrigo Brocardo, pesquisador do projeto e associado do Instituto Neotropical Pesquisa e Conservação, o desaparecimento do queixada no Parque Nacional do Iguaçu chegou a ser reportado em trabalhos internacionais.

Originário das florestas tropicais das Américas, o queixada corre risco de extinção em virtude, principalmente, da caça predatória e da destruição de habitat. Atualmente, está extinto em El Salvador e considera-se que cinquenta por cento da sua área de distribuição possui poucas chances de sobreviver em longo prazo. No Brasil, é considerado vulnerável à extinção em todos os biomas do país, contudo, sendo raro em alguns, como é o caso da Mata Atlântica. Como se alimenta de frutos e vegetais destaca-se pela sua contribuição na dispersão de sementes e por controlar o crescimento de plântulas, o que favorece a diversidade florestal.

O projeto que identificou a presença de queixadas no Parque Nacional do Iguaçu é o “Mamíferos como indicadores da saúde do ecossistema Floresta com Araucárias”, desenvolvido pelo Instituto Neotropical Pesquisa e Conservação, com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

“A ocorrência de animais ameaçados de extinção em unidades de conservação pode ser um sinal de que o ecossistema está bem protegido. Por isso apoiamos esse projeto que analisa a presença dessas espécies dentro do Parque Nacional do Iguaçu, para identificar o nível de ameaça e, posteriormente, criar um plano de ação para conservá-las”, explica a diretora executiva da fundação, Malu Nunes.

Segundo o pesquisador Carlos, desde março deste ano, 30 câmeras foram instaladas em vários pontos estratégicos do Parque Nacional do Iguaçu. Diferentes espécies já foram flagradas, como onça-pintada (Panthera onca), cutia (Dasyprocta azarae), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e anta (Tapirus terrestris).

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.486 projetos de 492 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país. Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis.

Na internet em www.fundacaogrupoboticario.org.br