Edição 273Outubro 2017
Domingo, 19 De Novembro De 2017
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Publicado na Edição 271 Agosto 2017

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Com que câmera eu vou?

Se você está satisfeito com as fotos ou vídeos que produz...

Com que câmera eu vou?

Leandro Ayres

COMO ensino fotografia para alunos do ensino fundamental e médio em um importante colégio de Santos, é bastante comum nas primeiras aulas a pergunta: “Professor, qual é a melhor câmera pra eu fotografar?”. Eu respondo: “Se você está satisfeito com as fotos ou vídeos que produz através do seu equipamento atual (smartphone ou câmera compacta), continue com ele. Pratique mais, crie mais e salve o bolso dos seus pais”. E as aulas seguem nesta filosofia, visando assim fazê-los alcançar melhores resultados por meio de conceitos e práticas que até então eles não conheciam, sem que para isso precisem comprar um equipamento mais caro.

Acredito que esta pergunta não se restringe aos meus alunos, mas a um grande número de pessoas que tem fotografado com seus smartphones e que, feliz com as imagens obtidas (ou não), querem levar a brincadeira mais a sério e com isso fazer um upgrade de equipamento. Muito justo. Mas, vamos considerar alguns pontos.

Primeiramente, o que eu respondi aos meus alunos serve para todo mundo. Se a sua intenção é apenas melhorar a qualidade da produção das suas imagens, assistindo a tutoriais no Youtube, como o canal do fotógrafo Fernando Piovesan (https://www.youtube.com/watch?v=1sjhLa0ZUAQ&t=370s) é possível que você alcance seus objetivos. Os smartphones mais avançados possuem capacidade e qualidade de imagem que quase nada devem às câmeras ditas “profissionais”. Desta forma aliando técnica, prática e equipamento suas fotos poderão ir ao encontro das suas pretensões, permitindo inclusive que as fotos sejam impressas em grandes formatos sem perda de qualidade.

Ainda neste esteio, acredito que com o avanço da tecnologia imagética digital, em poucos anos definitivamente não será necessário ter uma câmera tal como conhecemos hoje, com lentes intercambiáveis, ajuste manual de foco, diafragma, obturador, balanço de branco… Tudo poderá ser feito através de um bom smartphone com os aplicativos adequados.

Agora, vamos ao grupo daqueles que possuem conhecimento, um bom smarphone, olhar fotográfico, mas que ainda assim sentem falta da “pegada” de uma câmera profissional e das possibilidades que, por hora, só as melhores podem oferecer. Para os que querem se profissionalizar, também recomendo o uso destas em vez do smartphone.

Tudo depende do quanto você está disposto a investir em um equipamento e qual o tipo de fotografia você quer produzir. Sim, isso porque há lentes mais ajustadas para cada tipo de atividade. Por exemplo, uma lente Canon 400 mm F 2.8 IS custa a bagatela de R$ 57 mil e é o Santo Graal para os fotógrafos de esportes ou de vida selvagem. Mas, para trabalhos em estúdio, esta lente servirá, na melhor das hipóteses, como objeto decorativo.

Para quem não pode desembolsar muito (a maioria de nós, mortais) algumas boas opções são os modelos de entrada como são chamadas as câmeras DSLR de menor valor agregado com recurso de lentes intercambiáveis. Existem várias marcas e as mais usadas são Canon, Nikon, Sony e Fuji, nesta ordem. (Fonte IPhoto Channel). Para escolher uma dessas, a melhor maneira é pegá-la, senti-la na mão. O “grip”, como chamamos, é o primeiro contato físico com sua futura câmera e por isso considero fundamental. Se o grip lhe parecer confortável e o peso da câmera estiver conveniente, já temos um filtro vencido.

Hoje, o melhor modelo de entrada da Canon é o T6i EF-S de 24.2 Megapixels de resolução, que proporciona fotos bem detalhadas, limpas e com aspecto natural. Uma atualização do seu sistema de medição de luz produz fotos sempre com boa exposição no modo automático. Esta câmera vem com uma lente 18-55 mm F.3.5/5.6 IS. Bastante versátil para começar e custa R$ 3.899,00 na loja virtual da Canon.

Neste nível, a Nikon oferece a D3400, que, com a sua lente básica 18-55 mm F3.5/5.6 6G VR custa R$ 3.100,00 no site da Nikon. Com este modelo já é possível trabalhar bem em ambientes com pouca luz e sua lente permite capturar cenas em grande angular, necessário em ambientes com pouco espaço, caso esteja fotografando um evento, ou para viagens quando se deseja capturar paisagens inteiras.

A Sony é a marca que mais ganha espaço no mercado com sua excelente linha Alfa, porém é também a mais cara. O modelo a6300 é a principal câmera de lentes intercambiáveis mirrorless APS-C da Sony, com o 0,05 s mais rápido do mundo. Auto foco com mais pontos de AF com detecção de fase (425), sensor Exmor® CMOS com 24.2 megapixels efetivos, intervalo de sensibilidade ISO extra-amplo (100-51200). Esta sai por R$ 6.250,00 na loja virtual da Sony. Modelos mais baratos existem, mas já não são classificadas como “profissionais”.

Por fim, vale a pena conferir o modelo X-010 da FujiFilm que foi lançado em maio deste ano. Ela vem com uma lente XC16-50 mm f/3.5-5.6 OIS II, que garante boas imagens. Leve e com um design mais ergonômico, a fabricante garante que o modelo proporciona ótimas fotos em diferentes condições. Um bom ponto é o seu valor: na loja virtual da FujiFilm por R$ 1.930,00.