Edição 308Setembro 2020
Quarta, 21 De Outubro De 2020
Editorias

Publicado na Edição 299 Dezembro 2019

Fé, paciência…

A forma mais sensata da fé pode se traduzir numa inquebrantável convicção de um pensamento lógico, ainda que uma verdade pessoal, para que se concretize e assim produza efeitos – naturalmente benéficos, diria, abençoados. Dando tudo certo será tranquilo concluir que houve fé; estar-se-á diante de um homem de fé! Mas, e quando não dá certo? Quando, isolada ou mesmo coletivamente, fazendo tudo direitinho, e tudo parecendo demonstrar que Deus, ou os “deuses” estão a conspirar para que tudo caminhe para uma solução auspiciosa, acontece o contrário e o resultado é um desastre, uma verdadeira desgraça? Daí, é possível que se passe a perguntar e a buscar o erro. O que faltou para que a meta fosse alcançada conforme se havia traçado e perseverado? Faltou submissão? Houve excesso de confiança? Será, enfim, que este homem não tem fé? Exageros à parte, é forçoso combinar que o Brasil “não está fácil”. O mundo não está fácil. É tanto desalinho que não vale a pena enumerar, para o bem da saúde mental de cada um, eis que muitas coisas angustiam na conta pessoal, na de nossa comunidade, na Humanidade! Faltaria mais paciência, mais resistência? Aquela celebrada em “fé cega, faca amolada”, que Milton Nascimento e Ronaldo Bastos ensinaram para repudiar os dias sombrios da ditadura militar que sacudiu este país? Há que se ponderar que o brilho cego de paixão e fé, em qualquer linha de pensamento, limita, castra; enquanto a fé de cabeça erguida, esta sim desejável, é necessária – especialmente neste momento de transição no calendário. E bendito seja este calendário que, por um truque rápido, reacende a esperança, repactua a fé. Com ela, não é o caso mais de se perguntar aonde vai a estrada; vai ter, vai ter, vai ter que ser uma fé no ano novo. Que em 2020 tenhamos todos dias muito melhores!

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