Edição 271Agosto 2017
Sábado, 23 De Setembro De 2017
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Publicado na Edição 254 Março 2016

Acervo FAMS

Palacete Aranha Rezende. Gênese da transformação urbana santista

À esquerda, as palmeiras frontais ao majestoso Palacete Aranha

Palacete Aranha Rezende. Gênese da transformação urbana santista

As riquezas resultantes da comercialização do café pelo Porto de Santos transformaram a cidade, gradativamente, a partir do final da década de 1860. A até então pequena comunidade praiana e portuária, logo se tornaria uma das cidades mais belas do Estado de São Paulo.

Antes da chegada da ferrovia (que foi a mola propulsora do desenvolvimento econômico local), a classe mais abastada de Santos vivia em grandes sobrados situados na antiga rua Direita (atual XV de Novembro) ou na Santo Antonio (rua do Comércio). Com o aumento significativo das atividades comerciais e portuárias após a instalação da linha férrea São Paulo-Santos, os mais ricos passaram a ocupar os lados do Paquetá, onde construíram residências de porte luxuoso, dignas dos grandes barões de café do interior.

Na esquina do Novo Caminho da Barra (atual Conselheiro Nébias) e a General Câmara, o empresário do café Pedro de Souza Aranha, da firma Aranha, Irmão & Moraes, foi responsável pela construção, em 1889, do primeiro palacete da cidade, que ficou conhecido como o “Palacete das Palmeiras”. O empreendimento determinou uma nova era na urbanidade local, onde os mais abastados passaram a erguer enormes casas isoladas em terrenos de grande dimensão (ao contrário dos sobradões coloniais do Centro, sempre bastante unidos).

No Palacete das Palmeiras nasceu a poetisa Maria José Aranha de Rezende, que ali morou por muitos anos com seus pais e irmãos. A casa também chegou a ser ocupada pelo jornalista e poeta Vicente de Carvalho e sua mãe Augusta Bueno de Carvalho.

A partir dos anos 1920, os grandes empresários da cidade descobriram a orla praiana e para lá migraram. Como consequência, o Paquetá entrou em decadência e o belo Palacete Aranha acabou virando sede, por 18 anos, do Centro de Saúde do Estado. Logo depois seria demolido para dar lugar a uma empresa refinadora de açúcar. Encerrava ali mais um dos capítulos da história santista e uma das mais belas residências da cidade.

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br