Edição 275Dezembro 2017
Terça, 23 De Janeiro De 2018
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Publicado na Edição 255 Abril 2016

Acervo FAMS

Matadouro Municipal. No tempo das estouradas de boi na ZN

Cena da inauguração do Matadouro Municipal, em 1916

Matadouro Municipal. No tempo das estouradas de boi na ZN

Houve um tempo, quando a atual região da Zona Noroeste de Santos era praticamente uma imensa área rural, em que a cena mais comum aos poucos moradores locais era o trânsito de gado em direção ao maior e mais bem equipado matadouro do litoral. E nada incomum, vez em quando, alguns dos animais se “insurgirem” contra seus algozes, iniciando verdadeiras estouradas, para alegria das crianças, testemunhas festivas da fuga dos bois até locais como o Saboó, como já registrado na memória santista.

O Matadouro Municipal foi criado na década de 1910, para atender a demanda crescente de uma cidade que se expandia a olhos vistos, geograficamente e demograficamente. Quanto mais gente, maior a necessidade por proteína na mesa, combustível para os operários que movimentavam, por exemplo, o maior porto da América Latina.

A grande novidade do Matadouro de Santos eram as câmaras frigoríficas à seco, que ofereciam às classes de menor renda a possibilidade do consumo de produtos de melhor qualidade com menor preço. Com o processo inovador, a carne perdia sua umidade exterior, mas conservava no interior dos tecidos os princípios vitais necessários à nutrição humana.

Durante anos, toda a carne consumida na cidade santista provinha do Matadouro da Zona Noroeste. Porém, com o tempo, a região passou a ser alvo de ocupação, primeiro abrigando chácaras e depois núcleos residenciais. Assim, aos poucos, o equipamento se viu incorporado a um cenário urbano, ficando incompatível sua convivência com a crescente população local.

Com a chegada da Rodovia Anchieta e avanço do transporte frigorificado, já havia a possibilidade de trazer carne mais barata de outras cidades do Estado, trazidas diretamente das fazendas de gado do interior. Era o fim do Matadouro, que fechou as portas em 11 de abril de 1973.

Nos anos 1980, o Sesi passou a ocupar suas dependências, tornando o lugar uma nobre área cultural.

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br