Edição 308Setembro 2020
Segunda, 19 De Outubro De 2020
Editorias

Publicado em 18/08/2020 - 8:33 am em | 0 comentários

Divulgação

Via plataformas digitais, 31ª Curta Kinoforum programa edição online

"Os Anéis da Serpente", de Edison Cájas, Chile

Via plataformas digitais, 31ª Curta Kinoforum programa edição online

A 31ª edição do Festival Internacional de Curtas Metragens – Curta Kinoforum abrirá na quinta-feira seguindo até 30 de agosto em edição virtual e gratuita. Neste ano o evento apresenta 212 filmes de 46 países de cinco continentes, incluindo curtas produzidos durante a quarentena. Também estão agendados encontros, debates, masterclass, atividades de formação, um seminário internacional e happy hours.

Criado e dirigido por Zita Carvalhosa, o festival é organizado pela Associação Cultural Kinoforum. Os filmes, lives e demais atividades virtuais são acessíveis através do endereço www.kinoforum.org.br ou pelos aplicativos innsaei.tv para celulares, tablets e smart TVs disponíveis nas lojas do Google Play ou Apple Store (para televisores, utilizar Airplay e Chromecast).

Na quinta-feira, às 20 horas, acontece a cerimônia de abertura, de forma virtual, com exibição de títulos de destaque do festival. Para Carvalhosa, o grande desafio desta edição do festival foi colocado quando foram estabelecidas as medidas de confinamento social, no mês de março, e a inviabilidade de eventos presenciais: “Foi quando tivemos que decidir se iríamos manter suas datas tradicionais em agosto e como seria se não pudesse ser presencial. Decidimos continuar o processo de seleção e no início de maio já não tínhamos mais dúvidas e partimos firme para desenhar a edição online, buscando uma navegação amigável e prazerosa para exibir mais de duas centenas de curtas-metragens”.

Segundo a diretora do festival, “o esforço maior foi buscar, no ambiente virtual, o próprio ambiente do evento, com seus fundamentais encontros entre o público cinéfilo e os cineastas e profissionais de várias latitudes e longitudes. Para tal, buscamos uma parceria que aceitasse essa premissa de construir uma plataforma especialmente desenhada para um festival com programação dinâmica e com a possibilidade de apresentar sessões de filmes e garantir as trocas entre as pessoas”.

A programação do festival é organizada em Mostra Limite, Mostra Internacional, Mostra Latino-Americana, Programas Brasileiros, Mostra Infantojuvenil, Programas Especiais e Atividades Paralelas.

Mostra Limite

Unsound (Sem Som) (EUA) – Vivian Ostrovsky

Seção dedicada à experimentação e reinvenção, a Mostra Limite se propõe a criar pontes estéticas e semânticas entre curtas-metragens realizados em todos os cantos do mundo, apostando na inovação da linguagem audiovisual sob prismas únicos e originais. Este ano, a mostra é organizada sob três temas: “Brutalismo”, abordando choques entre humanismo e brutalidade, “O Império da Palavra”, com experiências sensoriais em que impera a palavra impera, e “Onde Está Todo Mundo?”, no qual as pessoas vão desaparecendo, fundindo-se ao cenário. É o caso de “Serial Paralallels” (de Max Hattler, Hong Kong/Alemanha), premiado no Festival de Annecy (considerado como a “Cannes” da animação), que retrata o ambiente urbano de Hong Kong visto da perspectiva conceitual do celuloide.

O cubano “A Travessia”, de Otávio Almeida, foi selecionado para o IDFA-Amsterdã, o mais importante festival internacional de documentários e segue a jornada solitária de um homem no ambiente natural inóspito da Sierra Maestra, a mais alta cordilheira cubana e berço da Revolução Cubana há mais de 50 anos.

Filmado em Trípoli, no Líbano, o documentário “Formas Concretas de Resistência” (Reino Unido) é dirigido pelo conceituado cineasta experimental Nick Jordan e focaliza a abandonada Feira Internacional Permanente da cidade de Trípoli (Líbano), projetada por Oscar Niemeyer, incluindo um dos últimos depoimentos do arquiteto brasileiro.

Já “Unsound (Sem Som)” (EUA), da brasileira Vivian Ostrovsky, foi vencedor de prêmio especial no Festival Signes de Nuit (Paris) ao colocar o desafio de fazer o espectador ver o som. Coprodução entre a França e Marrocos, “O Portão de Ceuta”, de Randa Maroufi, mostra uma série de reconstituições de situações observadas em Ceuta, enclave espanhol em solo marroquino e foi o grande vencedor do Festival de Tampere (Finlândia), considerado um dos mais importantes eventos internacionais dedicados ao curta-metragem.

Mostra Internacional

Na Mostra Internacional destaca-se “A Queda” (de Jonathan Glazer, Reino Unido/EUA), no qual o diretor Jonathan Glazer (o mesmo de “Sob a Pele”, com Scartlett Johansson) se inspirou em gravura de Francisco Goya e convida o espectador a projetar suas preocupações e interpretações.

Eleito com o melhor curta internacional no prestigioso Festival de Sundance, “E Daí, Se o Rebanho Morrer?” (França/Marrocos), de Sofia Alaoui, tem como protagonista um jovem pastor que vive nas montanhas e é forçado a enfrentar a neve para conseguir comida e se depara com um fenômeno sobrenatural.

O ator indicado ao Oscar Matt Dilon vive o protagonista do alemão “Nimic”, um violoncelista que tem um encontro no metrô que tem desdobramentos inesperados nesta obra selecionada para o Festival de Locarno do mesmo diretor de “A Lagosta”, Yorgos Lanthimos.

Vencedor do Prêmio Orizzonti no Festival de Veneza, “Querida” (Paquistão/EUA), de Saim Sadiq, reúne uma cabra sacrificial desaparece, uma sonhadora garota trans compete pelos holofotes e um jovem ingênuo se apaixona.

Rara produção do Casaquistão, aqui em uma coprodução com a Suíça, “Paola Faz Um Pedido”, de Zhannat Alshanova, aborda uma trabalhadora que começa a sentir que está perdendo o lado mais excitante de sua vida, foi realizado em oficina ministrada pelo consagrado cineasta Bela Tarr e esteve na seleção dos festivais de Locarno e Sundance.

Vencedor do Grand Prix de Clermont-Ferrand, o mais renomado evento internacional dedicado ao filme curto, “Boa Noite”, de Anthony Nti (Bélgica), focaliza um estrangeiro em Gana recebe uma missão de sua gangue para encontrar crianças para um trabalho arriscado.

“O Inferno e Tal” (Enrique Buleo, Espanha), que foi vencedor de menção especial do júri no Festival de Clermont-Ferrand e selecionado para o Festival de Cartagena de Índias, na Colômbia, mostra uma loja ilegal, onde encontram-se livros de autoajuda e calendários com fotos de mulheres nuas.

Selecionada para a Semana da Crítica do Festival de Cannes, “O Amante de Manila” (Noruega/Filipinas), de Johanna Pyykkö, acompanha um norueguês de meia-idade que conheceu uma filipina com quem ele deseja compartilhar sua vida, mas hoje nada corre conforme o planejado.

Mostra Latino-Americana

A Mostra Latino-Americana deste ano programou 15 títulos, representando a Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai. Entre os destaques está “Febre Austral” (de Thomas Woodroffe, Chile), descrito como um conto visceral e original sobre o corpo e a intimidade, tendo integrado as seleções oficiais dos festivais de San Sebastián (onde recebeu menção especial do júri), Veneza, Toronto e Nova York.

Coprodução entre a Colômbia e o México, “Sol de Planície” (de Manuela Irene Espitia) é protagonizado por três gerações de mulheres que experimentam diferentes estados emocionais e esteve nas seleções dos festivais de Clermont-Ferrand e Morelia.

Já “Os Anéis da Serpente” (de Edison Cájas, Chile) se passa em 1991 e traz uma professora de medicina legal que tem seu nome revelado em uma lista de ex-agentes da ditadura daquele país.

Mamapara (Mãe Chuva)”, de Alberto Flores Vilca (Peru), é um filme intimista e poético sobre uma solitária mulher quíchua vivendo no altiplano peruano, tendo sido selecionado para os festivais de Clermont-Ferrand e Toulouse.

Programas Brasileiros

A programação brasileira conta com 40 filmes selecionados de todas as regiões do país, com vários títulos tendo obtido premiações em festivais nacionais e internacionais. Estão presentes produções de 12 estados brasileiros e do Distrito Federal. Divididas entre a Mostra Brasil e a Mostra Competitiva – esta, conta no júri com a atriz Camila Pitanga e com os cineastas Kleber Mendonça Filho e Susanna Lira –, as obras são assinadas por diretores veteranos e também por cineastas estreantes.

Entre os realizadores com carreira reconhecida está Ivan Cardoso (de “O Segredo da Múmia”), que no curta selecionado para o Festival de Roterdã “O Colírio do Corman Me Deixou Doido Demais” realizou um filme feito à mão – riscando, desenhando, furando, interferindo, manchando, e até apagando imagens.

Daniela Thomas (de “O Primeiro Dia”) assina “Tuã Ingugu [Olhos d’Água]”, sobre a importância da água na cosmogonia dos Kalapalo, etnia que vive no Parque Indígena do Xingu.

Cláudia Priscilla (de “Bixa Travesty”) dirige ao lado de Mariana Lacerda “Nosso Amor Vai Embora”, um documentário sobre o cineasta Hilton Lacerda.

Em “Viva Alfredinho!”, Roberto Berliner (de “A Pessoa é Para o que Nasce”) celebra o bar carioca Big Big, um verdadeiro patrimônio cultural.

Selecionado para o Festival de Roterdã, “Vitória”, de Ricardo Alves Jr. (de “Elon Não Acredita na Morte”) tem como protagonista uma operária de uma fábrica de tecidos que aventa a possibilidade de agir coletivamente e transformar a ordem vigente.

Entre os realizadores estreantes está Camila Kater, que teve seu “Carne”, no qual mulheres compartilham suas experiências em relação ao corpo, premiado no Festival de Locarno e selecionado para o Festival de Toronto.

Também estreantes são Rodrigo Ribeiro, com “A Morte Branca do Feiticeiro Negro”, que transforma as memórias de um passado escravagista em paisagens etéreas e ruídos angustiantes, e o quarteto Nayara Mendl, Vita Pereira, Rosa Caldeira e Stheffany Fernanda, de “Perifericu”, vencedor do prêmio do público no festival Mix Brasil, que trata das adversidades de ser LGBT no extremo sul da cidade de São Paulo.

E nos elencos dos filmes brasileiros estão atores e atrizes de renome, como Elisa Lucinda e Bruna Linzmeyer (em “Alfazema”, de Sabrina Fidalgo), Helena Ignez (em “Extratos”, de Sinai Sganzerla, e em “Carne”, de Camila Kater), Gilda Nomacce (em “Estamos Todos na Sarjeta, Mas Alguns de Nós Olham as Estrelas”, de Sergio Silva e João Marcos de Almeida), Flávio Bauraqui (em “Lugar Comum”, de Gabriel Amaral) e Luciana Souza (em “Inabitável”, de Matheus Farias e Enock Carvalho), que é também cantora seis vezes indicada aos Emmy Awards.

A programação brasileira também conta com uma seleção de cinema indígena: “O Verbo Se Fez Carne”, de Ziel Karapotó, “Agahü: O Sal Do Xingu”, de Takumã Kuikuro, e “Mãtãnãg, A Encantada”, curta de animação realizado pela Comunidade Maxakali Aldeia Verde.

Finalmente, fazem suas estreias no evento, entre outros títulos inéditos, “O Jardim Fantástico”, de Fábio Baldo e Tico Dias, “A Maior Massa de Granito do Mundo, de Luís Felipe Labaki, e “Receita de Caranguejo”, de Issis Valenzuela, protagonizado pela atriz e ativista Preta Ferreira.

Completam os programas as sessões dedicadas a trabalhos oriundos de oficinas de realização audiovisual, compreendendo curtas-metragens ligados a atividades que promovem a inclusão social por meio do cinema e o acesso à discussão e à produção audiovisual. São, ao todo, 15 filmes de várias partes do país, divididos em três programas. O primeiro, Oficinas Brasil, é uma coletânea de títulos realizados em diversas localidades brasileiras, selecionados a partir das inscrições feitas por seus responsáveis. O segundo programa apresenta os resultados da oficina de cinema online do projeto É Nóis na Fita, intitulado É Nóis em Casa, com obras realizadas em meio ao isolamento social. Já o terceiro programa é dedicado às Oficinas Kinoforum, com quatro produções realizados durante a Oficina Módulo 1 – Sesc Guarulhos e três filmes feitos pelos alunos da Oficina Módulo 2 – Spcine.

Mostra Infantojuvenil

Em 2020, a Mostra Infantojuvenil está dividida em quatro programas. O infantil “Natureza Fantástica” traz nove produções: “Preto e Branco” (de Jesús Pérez e Gerd Gockell, Suíça/Alemanha), “Superbot” (Emmanuel Pierrat, Pierre-André Fontaine e Rémy Leroy, França), “Cobertor” (Marina Moshkova, Rússia), “Cuidado com o Lobo” (Nicolas Bianco-Levrin e Julie Rembauville, França, selecionado para os festivais L’Hiver Sera Court, Kid First!, Cinemagic e Micro Festival), “Noite na Ópera” (Lanyibo Dong, Wenpai Song, Oriane Thibault, Audrey Von Hatten e Christine Zheng, França), “O Mundo de Dalia” (Javier Navarro Aviles, França), “Os Heróis Que Ficam em Casa” (Todor Nikolov, Bulgária) e os brasileiros “Tecendo o Amanhã” (Alice Andreoli Hirata) e “Trincheira” (Paulo Silver, vencedor dos prêmios de melhor roteiro e melhor direção de arte na Mostra Sururude Cinema Alagoano.

O segundo programa infantil, intitulado “Volta ao Mundo em Cinco Filmes”, reúne “Gelo na Água” (Mathieu Barbe, Damien Desvignes e Victor Hayé, França), “Corredores do Deserto” (Aleksandar Vuksanovic, Austrália), “Rekab” (Pierre B, Reino Unido/França), “Meu Avô Conhece o King Kong” (Miguel Sáez Plaza, Espanha), “Difícil é Não Brincar” (Papoula Bicalho, Brasil). Trechos destes curtas fazem parte das lives “Palhaços Apresentam Curtas para Crianças” e “Mímicos Apresentam Curtas Para Crianças”, nos dias 22 23/08, respectivamente.

Já as exibições público juvenil apresentam, no programa “Primeiros Amores”, “Fermento” (Carlos Eduardo Ceccon, Brasil), “O Beijo” (Alexa Centurión, Peru), “Estações Instáveis” (Florian Goralsky, França, vencedor do Orix de l’Association Brochet d’Or no Festival de Cinema Jovem de Lyon) e “O Clube” (Emiliano Martinez, Argentina). “Onde é O Rolê” é o título do segundo programa juvenil e dele fazem parte as produções “Baleias Não Nadam” (Matthieu Ruyssen, França), “Kallima” (Ashkan Ahmadi, Irã) e as brasileiras “Portugal Pequeno” (Victor Quintanilha Moura Dias) e “Ocupa” (Juliana Pfeifer).

Programas Especiais

Parte dos Programas Especiais, Novas Áfricas tem curadoria de Claire Diao, jornalista e crítica de cinema francesa com origens em Burkina Faso, considerada como uma das mais importantes especialistas na cinematografia contemporânea da África e da diáspora africana. No total, são 13 obras, realizadas de 2017 a 2019 em países como Senegal, Marrocos, Congo, Quênia e Líbia, entre outros, em uma grade organizada em três sessões – “Mulheres Africanas”, “Rebeliões” e “Música e Cinema”. Diao participa da masterclass “A Importância de Existir nas Telas”, ao lado das curadoras Janaína Oliveira e Rayanne Layssa.

Já o programa especial Mostra Seanima, uma parceria do festival com o Seanima – Seminário Brasileiro em Estudos da Animação, reúne 12 títulos produzidos em 2019 nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. É complementado pelo debate “Animação Como Cinema, Artes e Design: Interseções Entre Universos”, que discute com especialistas, entre outros temas, a animação como agente social com potencial da linguagem audiovisual e a narrativa imagética. Da mesa participam e Antonio Fialho, Carla Schneider, Claudia Bolshaw e João Paulo Schlittler.

Por sua vez, Experimenta é programa especial que apresenta autores que se destacam pela originalidade de sua obra, como é o caso de Ji Su Kang-Gatto, artista multimídia nascida na Coreia do Sul e radicada na Alemanha. Ela é responsável pela série de curta “Identidades e Receitas”, da qual o festival exibe, em parceria com o Instituto Goethe de São Paulo, nove episódios, como “Como Preparar Janchi Guksu” e “Como Preparar Samgyetang”. Uma entrevista com Ji Su Kang-Gatto, feita especialmente para o festival, é exibida ao final dos filmes. Além da exibição online, os títulos do programa especial ganham projeção no período do evento em fachada de prédio localizado no bairro paulistano de Vila Buarque.

No programa especial Terror na Tela – A Grande Noite estão cinco títulos cuja temática privilegia acontecimentos noturnos: “Na Praça Escura” (Argentina), de Nicolás Schujman, selecionado para os festivais de Roterdã e Bafici, e “O Teste” (Alemanha), de Philipp Christopher, vencedor do prêmio de melhor curta nos festivais Mo.bile Filmfestival e Short To The Point, além dos brasileiros “Ligue Depois da Meia-Noite”, de Sabrina Tenfiche, “Shunkan”, de Ricardo Albuquerque e “Deserto Estrangeiro”, de Davi Pretto (diretor do longa “Rifle”).

Mercosul em Curtas traz nove filmes – representando Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – que foram selecionados pela Recam, órgão consultor do Mercosul para cinema e audiovisual, e fazem parte do catálogo da Rede de Salas Digitais do Mercosul.

Destacam-se neste programa especial “Maracanazo” (Alejandro Zambianchi, Argentina), uma comédia romântica de narrativa futebolística intensa, passada em um bar perdido em Buenos Aires, “Na Boca de Todas” (Colectivo RAMA, Argentina), trabalho coletivo feminista realizado por 25 mulheres animadoras, usando diferentes técnicas e criando interações entre os conceitos “boca” e “comunicação”, e “Antonieta” (Flávia Person, Brasil), documentário sobre Antonieta de Barros (1901-1952), mulher, negra, professora, cronista, feminista e que se tornou a primeira negra a assumir um mandato popular no país.

Com exibição online e também presencial em um cinema drive-in (no Drive-in Paradiso, em São Paulo), o programa especial Curta em Casa exibe os 10 trabalhos mais votados do projeto homônimo, uma iniciativa do Instituto Criar, Spcine e Projeto Paradiso que disponibilizou bolsas para 200 curtas-metragistas moradores das periferias de São Paulo.

O resultado são visões dos aspectos da pandemia de Covid-19 nas quebradas de São Paulo, sendo tudo produzido dentro de casa. Os dez mais bem avaliados em votação popular são “Aflora” (Jota – Joyce Carmo), “Dádiva” (Evelyn Santos), “Gatilho” (Glória Maria), “Hiato” (Gustavo Pera), “O Interior” (Alice Stamato e Márcio Masselli), “Aos Olhos de Uma Criança” (Marginalia), “Placa-Mãe” (Ignacio Barcelos), “A Procura Que Vai Chegar” (Lara Júlia, Abraão Kimberley e Ícaro Pio), “Quarentena na Laje” (Bruno Rodrigues e Danrley Soares Rosa), “Quase Me Fizeram Acreditar Que Eu Não Existia” (Rachel Daniel e Arthur Alfaia).

Criatividade em Tempo de Crise é programa especial com sete títulos clássicos brasileiros, realizados no período denominado Primavera do Curta (1986 – 1996). As obras têm direção assinada por cineastas que ganharam relevância em suas posteriores carreiras no longa-metragem. A retrospectiva reúne obras de Laís Bodanzky (“Cartão Vermelho”), Tata Amaral (“Viver a Vida”), Jorge Furtado (“Ilha das Flores”), Beto Brant (“Dov’è Meneghetti?”), Carla Camurati “A Mulher Fatal Encontra o Homem Ideal”), Anna Muylaert (“A Origem dos Bebês Segundo Kiki Cavalcanti”) e Cao Hamburger e Eliana Fonseca (“Frankstein Punk”).

Atividades Paralelas

Nas Atividades Paralelas está agendado o seminário internacional Conexão USP Kinoforum, com três mesas organizadas pelo Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, pela Associação Cultural Kinoforum e pelo Museu da Imagem e do Som de São Paulo, com curadoria de Almir Almas (USP), Esther Hamburger (USP Scedi/Cilect) e Eduardo Santos Mendes (USP). Os temas dos encontros são “Cinema, Memória e Construção do Futuro”, “Pedagogia Pós-Pandemia – Como as Universidades Podem Ajudar a Criar um Mundo Mais Justo e Igualitário” e “Arlindo Machado – Uma Celebração Poética”, este último incluindo performance de diversos artistas.

Webinar “Curtas-Metragens na Sala de Aula” reúne educadores e programadores audiovisuais para professores da rede pública de ensino sobre o uso do curta-metragem e da linguagem audiovisual como ferramenta educacional. Uma das atividades paralelas da programação, o seminário conta com a coordenadora de oficinas de animação Marta Russo, Moira Toledo, coordenadora de projetos de educação audiovisual, Ralph Friedericks, cineasta e coordenar de oficinas audiovisuais para crianças e adolescentes.

 Uma das lives agendadas é “Do Curta ao Longa”, na qual dois realizadores premiados debatem os diferentes processos de criação, direção e produção entre curtas e longas-metragens. Participam a cineasta Caru Alves de Souza, que venceu o Festival do Rio com o longa “De Menor” e este ano conquistou o prêmio de melhor filme (“Meu Nome é Bagdá”) pelo júri internacional da Mostra Generation 14plus do Festival de Berlim. Da live participa ainda o diretor João Paulo Miranda, cujo primeiro longa-metragem, “Casa de Antiguidades”, fez parte da seleção oficial do Festival de Cannes 2020.

O debate “Caminhos do Audiovisual Latino-Americano” propõe uma reflexão sobre a cinematografia da América Latina, destacando as colaborações, experiências, tendências e possibilidades dos produtos audiovisuais da região. Uma das Atividades Paralelas do evento, dela participam a equatoriana Maria Capanã Ramia, programadora associada do festival IDFA-Amsterdã, a argentina María Marta Antin, diretora de comunicação da Universidad del Cine, de Buenos Aires, uruguaio Roberto Blatt, diretor do ICAU – Direção de Cinema e Audiovisual do Uruguai, e Marilha Naccari, diretora de programação do FAM – Florianópolis Mercosul Audiovisual.

As atividades paralelas têm na agenda dois lançamentos de livros. “A Forma Realizada: O Cinema de Animação” tem autoria de Dean Luis Reis e percorre a trajetória dos pioneiros da animação no século 20, apresenta novos realizadores e analisa expoentes japoneses, russos, latino-americanos e norte-americanos do gênero, além de discutir os novos recursos digitais aplicados ao cinema de animação.

“Novas Fronteiras do Documentário: Entre a Factualidade e a Ficionalidade” é assinado por Piero Sbragia e pretende ser ferramenta para “fugir dos dogmas que limitam o processo criativo”. O autor discute o documentário como obra que rompe a divisão rígida entre factual e ficcional e apresenta um panorama sobre o documentário produzido no século 21 e apresenta um panorama sobre o documentário

Na Noite de Kino será apresentado o resultado da tradicional gincana audiovisual promovida pelo Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo – Curta Kinoforum. Com participação de grupos de 12 escolas, a atividade propõe que em um período limitado de tempo (três dias e 11 horas), os realizadores roteirizem, produzam e exibam curtas-metragens. Neste ano, o desafio incluiu o respeito às normas de saúde e isolamento social.

Completam as atividades paralelas do festival a live do projeto “Crítica Curta”. Na ocasião, se realiza um balanço dos filmes exibidos na programação do festival pelos alunos de oficina ministrada pelo jornalista Thiago Stivaletti. O Crítica Curta é destinado a estudantes de audiovisual que tem o objetivo de promover a reflexão em torno da produção de cinema contemporâneo no formato de curta-metragem, contribuindo para o exercício, a produção e a difusão de textos.

Uma equipe do curso de Cinema e Audiovisual da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) acompanha toda a programação do festival para produzir o making of do evento. Sob a supervisão da equipe docente da escola, encabeçada pela professora Lyara Oliveira, os alunos fazem entrevistas e documentam as atividades, sendo o resultado disponibilizado após o encerramento da programação.

Responder