Edição 284Setembro 2018
Quarta, 17 De Outubro De 2018
Editorias

Publicado em 26/09/2018 - 8:22 am em | 0 comentários

Divulgação

Sutil e silencioso inspiram Maria Laet na 33ª Bienal de São Paulo

Vídeos inéditos da artista no Parque Ibirapuera

Sutil e silencioso inspiram Maria Laet na 33ª Bienal de São Paulo

As sutilezas do cotidiano serviram de inspiração para os vídeos que Maria Laet apresenta na 33ª Bienal de São Paulo. A artista se atém aos detalhes que passam despercebidos por olhares apressados e traz intervenções poéticas em sua obra. Em Abismo das superfícies I e II, o dançar de luzes e sombras ao som de pássaros do parque do Ibirapuera tomam o chão asséptico da construção modernista de Oscar Niemeyer. Os trabalhos integram o corpo de 12 projetos individuais comissionados pelo evento.

“Quando eu vim ao Pavilhão da Bienal, me impressionou o vazio imenso criado pela arquitetura que se impõe, tão forte. E justamente por ser tudo tão grande e importante, minha atenção se voltou ainda mais para as sutilezas desse espaço vazio, o que há de mais frágil e silencioso naquele contexto, o que não está sendo visto. O contraste entre esses mundos, e onde eles se encontram, é muito potente para mim”, explica Maria Laet.

Paralelamente à Bienal, a artista apresenta a individual “Poro” na Galeria Marília Razuk. Com curadoria assinada por Bernardo José de Souza, a exposição reúne 11 trabalhos desenvolvidos em suportes diversos: são vídeos, fotografias, monotipias, objetos e uma instalação. Com eles, a artista propõe ao espectador uma pausa no tempo para se despir da necessidade habitual e, muitas vezes, cartesiana, pelo controle. “Poro” fica em cartaz até 20 de outubro e ocupam as duas salas da Galeria.

Maria Laet nasceu em 1982 no Rio de Janeiro e vive e trabalha em sua cidade natal. Seu trabalho é criado por ações e pelo resultado de gestos e intervenções sutis, numa prática que envolve desenho, gravura, fotografia e vídeo. Esses meios agem como canais, plataformas para os processos para os processos da artista, como peles, que levam suas intenções e revelam a ação como um arquivo. Dessa forma, as obras acontecem tanto no conceito quanto na esfera física dos materiais envolvidos, chamando sua atenção para a membrana, o espaço que liga e ao mesmo tempo divide. Esses encontros são enfatizados na natureza entrópica do trabalho de Laet, que tendem a parecer calmos, inicialmente homogêneos, mas sutilmente questionam a noção de limite.

É formada pela Camberwell College of Arte, na qual concluiu mestrado em 2008. Participou de residências artísticas como a Schloß Balmoral (Bad Ems, Alemanha, 2009), Carpe Diem Arte e Pesquisa (Lisboa, 2010), e a Residency Unlimited (Nova York, 2014). Seu trabalho já foi apresentado individualmente em espaços e instituições do Rio de Janeiro, em São Paulo, Paris, Lisboa e Milão.

A 33ª Bienal de São Paulo – Afinidades afetivas acontece até 9 de dezembro, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera. A individual “Poro” está até 20 de outubro na Galeria Marília Razuk, Sala 1, Rua Jerônimo da Veiga, 131, e Sala 2, Rua Jerônimo da Veiga 62, Itaim Bibi, São Paulo.