Edição 296Setembro 2019
Domingo, 15 De Setembro De 2019
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Publicado em 5/07/2019 - 7:56 am em | 0 comentários

Divulgação

Concertos comemoram os 100 anos da cripta da Catedral da Sé

Cripta: acesso inédito a espaços pouco conhecidos do santuário

Concertos comemoram os 100 anos da cripta da Catedral da Sé

A Cripta da Catedral da Sé completa 100 anos e, para comemorar, acontecerá a partir de amanhã a “Série Concertos 100 Anos da Cripta da Catedral da Sé”, na capital paulista, com 30 apresentações – sempre aos sábados – reunindo grandes nomes e revelações da música instrumental e do canto coral brasileiros. A produção é do Ministério da Cidadania e Estúdio Centro, com patrocínio da Sabesp e do Governo do Estado de São Paulo.

Os eventos serão todos gratuitos, com concertos na própria cripta e em outros locais de acesso restrito da catedral (como os salões do piano e do coro). “Será uma oportunidade inédita de paulistanos e turistas apreciarem esses locais ao som de repertórios que destacarão obras da música clássica e popular brasileira e internacional em formações tão diversas como piano solo, madrigais, canto gregoriano e até o diálogo do beatbox com estilos mais ligados ao clássico”, afirma Camilo Cassoli, diretor geral do projeto.

A partir da história da cripta, serão destacados repertórios que relacionarão diversos momentos históricos da cidade de São Paulo a partir da Praça da Sé e de sua Catedral. Ganharão destaque especial os povos que compõem a cidade, com a presença de grupos de suas diversas origens. “É muito significativo que a catedral receba e apoie eventos como esse, que valoriza sua história, a história da cidade e de seus cidadãos, aproximando todos à nossa igreja e ao Centro de São Paulo”, afirma Luiz Eduardo Baronto, cura da Catedral da Sé.

Aos sábados, os concertos acontecem às 16 horas e serão todos gratuitos (com entre 80 e 120 lugares cada, a depender do local onde serão realizados). Todos terão em média uma hora de duração, com transmissão ao vivo pela internet. A programação irá até março de 2020. A programação da série, conteúdos exclusivos e a íntegra dos concertos já realizados poderão ser acessadas nas redes do projeto, instagram/concertoscripta,facebook/concertoscripta e em www.concertoscripta.com.br

A apresentação de estreia, amanhã, será com o violonista Alessandro Penezzi, vencedor (em parceria com Yamandu Costa) do prêmio de Melhor Disco Instrumental Brasileiro de 2018 no Prêmio da Música Brasileira. Além de peças próprias para o violão solo, Penezzi apresentará obras de grandes nomes ligados ao violão paulista como Garoto, Paulinho Nogueira e Antônio Rago. Complementando o programa: “A Catedral”, de Agustín Barrios, e “Sons de Carrilhão”, de João Pernambuco: ícones do repertório mundial do instrumento que poderão ficar ainda mais interessantes no contexto da apresentação na Cripta.

Na semana seguinte, 13, na sala do piano, será a vez do grupo Brazu Quintê se apresentar. Com peças autorais inspiradas na cultura brasileira regional. o grupo tem como marca uma inusitada união da formação de câmara com a guitarra.

Já sábado, 20, será a vez do Madrigal Encanto: com um repertório com obras de Anton Brukner, John Rutter, Marlos Nobre, Dorival Caymmi e outros, apresentadas na Cripta. Até desses, estão confirmados nomes como os pianistas Laércio de Freitas, Clara Sverner e Fábio Caramuru, os duos de Maiara Moraes (flauta) / Salomão Soares (piano), os trios Caixa Cubo e Retrato Brasileiro, os madrigais Le Nuove Musiche e Encanto, além de dezenas de outras atrações.

Os 30 concertos relacionarão 4 linhas temáticas principais: “Uma praça e suas camadas” (com repertórios e sonoridades explorando diferentes momentos da praça da Sé e do desenvolvimento da Cidade de São Paulo: desde quando ali havia a Mata Atlântica até hoje, com os desafios para o presente e o futuro); “Povos de São Paulo” (com grupos e solistas das diversas origens que formaram a cidade, a começar pelas matrizes indígena, europeia e africana, chegando até os imigrantes mais recentes); “4 Elementos” (abordando repertórios ligados a Água, Ar, Terra e Fogo, e como esses se relacionam com a arquitetura e a história da Catedral); “Espaço e Tempo na Música Sacra” (com a execução de peças de diferentes épocas e estilos explorando sonoridades diversas dos espaços da Catedral da Sé).

Conheça algumas curiosidades sobre a cripta:

. A cripta está a 7 metros de profundidade em relação à Praça da Sé. Foi projetada pelo alemão Maximilian Emil Hehl, professor de arquitetura e engenharia da Escola Politécnica.

. Abriga 32 câmaras mortuárias, 18 delas ocupadas por personagens ligados à igreja e à cidade de São Paulo.

. Seguindo a tradição das catedrais europeias, a Cripta da Catedral da Sé abriga personagens fundamentais da história da cidade. Os restos mortais do cacique Tibiriçá (considerado o primeiro cidadão paulistano) e do Regente Feijó (que governou o Brasil enquanto Dom Pedro II era criança) estão no local, em túmulos com esculturas em bronze (e em tamanho real) retratando passagens de suas vidas.

. Possui duas destacadas esculturas de Jó e São Jerônimo, produzidas por Francisco Leopoldo e Silva em Roma. O artista foi colega de Brecheret, com quem estudou na Academia da França.

. Tem um conjunto de 4 vitrais destacando elementos da flora e agricultura presentes no Brasil. Durante a construção da Catedral, os vitrais serviam de iluminação parcial à Cripta. Com a catedral pronta, foram cobertos pela própria catedral (e hoje são destacados por iluminação elétrica). Foram produzidos pela Casa Conrado, a mesma responsável pelos vitrais do Mercadão.

. Os detalhes em metal da Cripta foram fundidos em bronze no Liceu de Artes e Ofícios.

. Relevos produzidos por Ferdinando Frick destacam anjos com trombetas e uma ampulheta, remetendo ao cenas do juízo final.

. Dentre os sepultados na cripta, está o frei Bartolomeu de Gusmão: considerado o inventor do balão. Nascido em São Vicente, viveu na Espanha no Século XVII, foi acusado de bruxaria pela inquisição e inspirou um dos personagens principais de José Saramago no livro Memorial do Convento.

. O corpo de Santos Dumont ficou guardado na Cripta durante julho e dezembro de 1932, na revolução constitucionalista, até ser transportado em segurança para ser sepultado no Rio de Janeiro.

. O mais recente sepultado na Cripta foi Dom Paulo Evaristo Arns, em 2016. O texto em latim diante de seu mausoléu descreve sua importância pela preservação dos pelos Direitos Humanos.

Espetáculos de agosto e setembro, sempre aos sábados, às 16 horas.

06/07 – Alessandro Penezzi

Alessandro Penezzi é violonista, vencedor do 29o Prêmio da Música Brasileira – 2018 (categoria Melhor Disco Instrumental) pela obra “Quebranto”, de parceria dele com Yamandu Costa. Compositor e arranjador, natural de Piracicaba (SP), Penezzi também toca violão de 7 cordas, violão tenor, cavaquinho, bandolim e flauta. Formou-se em violão erudito em 1997, pela Escola de Música de Piracicaba, sob a orientação do Maestro Ernst Mahle e do Prof. Sérgio Belluco, que também lhe mostrou o universo do Choro. Já tocou com diversos artistas e em vários países divulgando a Música Brasileira. Apresenta um repertório com composições próprias, que passeiam entre o Choro, Frevo, Baião, Valsa, e até rítmos latinos, além de peças clássicas do violão brasileiro, arranjos vibrantes e com roupagens novas. Na abertura da série de Concertos dos Cem Anos da Cripta da Catedral da Sé, apresentará composições de autores paulistas (como Antônio Rago, Garoto, Vadico, Paulinho Nogueira e outros), obras próprias e de outros grandes nomes do violão (como João Pernambuco e Agustín Barrios).

13/07 – Brazú Quintê

Com uma formação inusitada, o Grupo Brazú Quintê nasce da ideia de Fábio Leal inserir a guitarra elétrica no contexto de música camerística. Através de composições autorais inspiradas nas ricas matizes da música brasileira, o quinteto desenvolve o seu trabalho buscando a essência da música de câmara, a valorização dos timbres, dinâmicas e harmonias. Apresenta também clássicos de autores como Almir Sater, Lô Borges, Tião Carreiro e Egberto Gismonti, bem como composições de novos talentos. O grupo, que já se apresentou em centros culturais e festivais no Brasil e no exterior, tem conquistado fãs por onde passa, despertando admiração do público por sua maturidade e excelência.

20/07 – Madrigal EnCanto

Sob regência de Walter Chamun, o madrigal trabalha predominantemente com compositores de música erudita estrangeira e brasileira, incluindo também em seu repertório compositores da música popular brasileira.

27/07 – Coro Sinfônico de Goiânia

Fundado em outubro de 1999, o Coro da Orquestra Sinfônica de Goiânia é resultado da fusão do antigo Coral Municipal com a Camerata Vocal de Goiânia. Sua fundação e manutenção é uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Goiânia, por meio da sua Secretaria de Cultura. Formado por profissionais da música, seu repertório contempla desde obras corais a cappella às grandes obras corais-sinfônicas, buscando sempre valorizar a literatura coral brasileira, ao lado do repertório internacional. Seu trabalho consiste em difundir e socializar a Arte da Música em nossa comunidade, apresentando-se em eventos públicos, realizando recitais solo ou em conjunto com a Orquestra Sinfônica de Goiânia. Um trabalho disciplinado e compromissado com a mais séria realização artística coloca-se ao lado da excelência, elemento dos melhores coros do país.

10/08 – Raouf Jamni

Raouf Jemni é imigrante tunisiano, compositor e tocador de kanun, instrumento de cordas originário do século X, da região de Farab, no atual Irã. Raouf toca música árabe moderna e música turca.

17/08 – Alexandre Ribeiro

Alexandre Ribeiro é o principal teorbista brasileiro. O músico, natural de Ribeirão Preto, começou na música no início da década de 90 com somente 10 anos de idade, com aulas de violão. Bacharel em violão erudito e pós-graduado em educação musical, Ribeiro é especializado em instrumentos de cordas dedilhadas antigas. Em 2013, preparou seu álbum solo, Teorba.

24/08 – Caixa Cubo

Em atividade desde 2007, Caixa Cubo é um dos piano-trios de maior destaque na atual cena Instrumental do Brasil. Emergindo em meio a composições, releituras ou se potencializando em fluxos sonoros livres, a improvisação é elemento central dos diferentes projetos do Caixa Cubo, com brasilidades surgindo em diferentes graus: choro, samba jazz, e baião, chegando até uma urbanidade cosmopolita, com grooves e desconstruções sem amarras. O trio João Fideles (bateria, percussão), Henrique Gomide (piano, teclados, sintetizadores) e Noa Stroeter (contrabaixo acústico, baixo elétrico) transitou nos últimos anos entre Brasil e Europa, onde fizeram, juntos, um mestrado no Real Conservatório de Haia, na Holanda. Se apresentaram em palcos relevantes como o do festival Jazz à Vienne (França), Riverboat Festival (Dinamarca), Anton Philip Hall (Holanda), A-Trane (Berlim), Jazzkeller (Frankfurt) e outros centros culturais em Paris, Bruxelas, Londres, Birmingham, Lisboa, Rotterdam.

31/08 – Maiara Moraes e Salomão Soares

Maiara Moraes é flautista, compositora, arranjadora e professora radicada em São Paulo desde 2012. Natural do sul do país, Maiara Moraes vem, ao longo de sua carreira, desenvolvendo um importante trabalho com a flauta dentro da música popular. Em 2018 lançou seu primeiro disco, NÓS, só com composições de flautistas contemporâneos, o qual participou o pianista Salomão Soares. Salomão Soares é considerado atualmente uma das grandes revelações da nova geração de pianistas brasileiros. Nascido e criado no interior paraibano, o pianista, arranjador e compositor radicado na cidade de São Paulo, já dividiu o palco com nomes marcantes da música brasileira, sendo um deles Toninho Ferragutti com quem gravou recentemente um disco em duo. Em 2017, o músico foi um dos 10 finalistas do Piano Competition no renomado Festival de Montreux na Suíça e vencedor do Prêmio MIMO Instrumental 2017.