Edição 271Agosto 2017
Sábado, 23 De Setembro De 2017
Editorias

Publicado na Edição 264 Janeiro 2017

Você está vivo!

Luiz Carlos Ferraz

Não é preciso ser torcedor de time de futebol, ser traído numa relação conjugal ou perder um ente querido para sentir a dor do sofrimento, aquele sentimento classificado pelo poeta como opcional, que pode ser diminuído ou evitado, mas que muitas vezes, independentemente de nossa vontade, nos persegue por dias, meses, anos, por toda uma vida; outras vezes, por apenas um instante. A gravidade da situação e o alargamento do tempo, neste contexto, podem até constituir aspectos para estudo e tratamento, pois cada pessoa terá esse tipo sofrimento numa dimensão exclusiva, em função das inúmeras variáveis que permeiam a condição humana e na exata proporção de sua visão de mundo. A certeza, talvez, é que essa dor projetada pela força do pensamento faz parte do dia a dia do cidadão e é explicada por especialistas como algo absolutamente normal e, por que não dizer, necessária, como a mostrar que se está vivo, pois só quem está vivo é que poderá fingir a dor que deveras sente… Não é recomendável deixar-se tragar pela dor do sofrimento, venha este de que músculo vier, a ponto de permitir que desencadeie uma patologia, tipo uma depressão, ou tentar amenizá-lo com drogas, sejam as lícitas ou ilícitas. Viver o sofrimento, no âmbito dessa concepção, seria saudável, não tendo nada a ver considerar-se pessimista ou frequente vítima de alguma teoria da conspiração. Da mesma forma, a contrario sensu, é extremamente saudável viver a alegria da felicidade plena, exibindo sempre um sorriso no rosto e enfrentando os desafios com otimismo, pouco se importando em se parecer um pateta.