Edição 285Outubro 2018
Domingo, 18 De Novembro De 2018
Editorias

Publicado na Edição 279 Abril 2018

Um novo Noé

Luiz Carlos Ferraz

É de estarrecer o alerta divulgado há alguns dias sobre a morte de animais atropelados nas estradas brasileiras. São 475 milhões de espécimes por ano, o que significa uma morte a cada 15 segundos, segundo levantamento do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE). Aqui não é o caso de se aprofundar na causa apontada pelos especialistas, que sustentam a combinação da expansão das cidades, desordenadamente inchadas pelo ser humano, com a diminuição dos habitats naturais dos animais, criminosamente destruídos pelo mesmo agente. A verdade é que a estatística assusta, tanto pela omissão do referido humano, por não proteger as ingênuas criaturas, muito bem definidas por Francisco como nossos irmãos, quanto pela ação em si, resultado de uma direção irresponsável, que é incentivada pela famigerada impunidade. Ademais, é importante insistir que não se tratam de mortes por causa natural, mas provocadas pela nefasta interferência do homem – e que, pela falta de dados, não estão sendo adicionadas as mortes por queimadas e outros crimes contra o meio ambiente. A realidade é brasileira e não é possível acreditar que seja diferente em outras partes do mundo. Em síntese, a degradação da condição humana – não só pelo desrespeito ao animal, ao próprio ser humano, ao planeta, enfim, a tudo! – parece ter chegado a um nível tão absoluto, que só resta aguardar por um novo ciclo.