Edição 293Junho 2019
Segunda, 22 De Julho De 2019
Editorias

Publicado na Edição 289 Fevereiro 2019

Touro ou cavalo?

Nelson Tucci

Número não é algo que se deva desprezar. De forma simplória, raciocinemos: se alguém lhe pergunta sobre o 11° mandamento, o 28° estado brasileiro, o segundo satélite natural da Terra ou pela 18ª regra do futebol, desconfie. E, conforme o caso, chame a polícia.

A matemática antiga, a de “meia idade” e a novíssima também ensinam que 27 x 3 é igual a 81 (touro no jogo do bicho). Assim, sempre que o Senado votar deverão existir no máximo (isto é, se ninguém faltar) 81 votos, já que são três por estado – incluso aqui o distrito federal. Na tumultuada sessão de 2 de fevereiro, inaugurando a nova legislatura, foi eleito presidente da chamada Câmara Alta o senador Davi Alcolumbre depois de computados todos os… 82 votos. Epa! Criado pela Constituição Imperial de 1824 como Câmara de Senadores e rebatizado de Senado Federal, na primeira Constituição da República (1891), Senatus (em latim) carrega a tradição de “casa de anciãos”, da Antiguidade. Ou seja, casa de sabedoria.

Ainda que Calígula (imperador romano de 37 a 41 desta era) tivesse nomeado Incitatus, seu cavalo preferido, senador romano, a Câmara dos Lordes, como a chama o Reino Unido, é uma casa de respeito. Ou deveria ser. Em Roma, Tókio, Washington ou Brasília. Aí ficamos a pensar: existiria algum Incitatus Brazilis recebendo o 82° voto?

Com este novo Senado, a conta não fecha.