Edição 310Novembro 2020
Segunda, 30 De Novembro De 2020
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Publicado na Edição 241 Fevereiro 2015

Respeito à Democracia

Luiz Carlos Ferraz

Não tem sentido a voz desesperada desta minoria barulhenta, ou nem tanto, pregando o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Proposta mais que destrambelhada, Dilma foi mantida no cargo de forma democrática em eleição livre vencida pela maioria do povo brasileiro e, se suas ações são e devem ser questionadas, isto tem que ser feito dentro dos padrões das melhores democracias, respeitando o Estado de Direito e em harmonia com o princípio da tripartição dos poderes, conforme a teoria desenvolvida por Montesquieu, em sua célebre obra “O Espírito das Leis”. Além do flagrante desespero, a articulação rasteira que prolifera nas redes sociais fede como vício da ditadura, habituada ao caminho golpista para derrubar governos legítimos. O Brasil tem uma governanta – anta ou não (aquiete-se!), esta é outra questão – reeleita pelo voto popular. Se não foi o seu, perdeu. Mas foi o voto da maioria dos eleitores do Brasil. Se a facção e seguidores derrotados não se conformam, devem sim espernear, denunciar, fazer oposição, conforme admite o regime democrático. O escândalo da Petrobras, que serve de mote, não é o primeiro e nem será o último deste país contaminado por dirigentes, enfim, por um sistema corrupto. As denúncias estão sendo apuradas pelo Judiciário, que condenará as empresas e pessoas que assaltaram os cofres públicos, e a decisão repercutirá, como já repercute toda a fase processual, no Legislativo, que haverá de adotar medidas enérgicas para expurgar os políticos desonestos – projetando ao Executivo um rol de providências que deverá e já está sendo adotada, como o afastamento de servidores corruptos e proibindo a contratação de empresas que adotam e admitem práticas esquisitas. Aos derrotados, resta continuar mobilizados e tentar a conquista do poder pelas urnas, daqui a quatro anos, mediante a apresentação de proposta que consiga sensibilizar a maioria dos eleitores. A natureza da democracia brasileira não há de extrapolar o sentido grego da demokratia, de demos, “povo”, e kratos, “poder”, que se aplica ao sistema político no qual o poder é exercido pelo povo através do sufrágio universal. É o sistema adotado e aplicado aqui, ainda que com sérios desvios e que estão sendo corrigidos num processo que parece interminável, mas muito melhor do que a ditadura militar que o povo derrubou de forma legítima. Achar que a democracia admita outra forma de alternância de poder que não as urnas é aventura espúria e não deve prosperar nas mentes e corações brasileiros.

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