Edição 310Novembro 2020
Segunda, 30 De Novembro De 2020
Editorias

Publicado na Edição 249 Outubro 2015

Pimenta nos olhos

Luiz Carlos Ferraz

Na onda de intolerância que assola o país, não está sendo nada fácil compreender e, na medida do possível, acompanhar o andar da carruagem, isto para quem não quer passar a vida como simples telespectador, e sim como verdadeiro protagonista de seu destino. Afinal, se já não bastasse ser mero alvo dos tradicionais meios de comunicação, em sua busca desesperada por manipular o primeiro desavisado – rasgando o manual e, muitas vezes, nem se atinando a qual interesse se submete –, o cidadão ainda tem que estar preparado para não sucumbir ao massacre incessante das redes sociais, completamente livres e irresponsáveis. Entre demonstrar incompetência e assumir a tendência à cumplicidade cada vez maior entre esses meios, o fato é que estamos assistindo, neste momento de transformações, a rede social pautando o jornal, rádio e tv (salve-se se puder!), cujas mentes permanecem atoladas no analógico, como se sinal de modernidade fosse, em última análise, repercutir as baboseiras e estultices que proliferam nesta ou naquela rede social. Monumental incoerência, contudo, seria ter que pugnar por um fiapo de restrição à ampla liberdade que viceja nas redes. Podem quebrar tudo; e assumam! Hoje, quando o país faz coro contra a criação de mais um tributo, na forma de contribuição provisória destinada a salvar a Previdência, quiçá o país, é irônico assistir a desfaçatez do setor industrial, representado pela poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, que comemora, “em nome da isonomia tributária”, a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por maioria de votos, para que o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) também incida na revenda de produtos industrializados importados… Nesse mar de deslavada esperteza que contamina a nação, no qual o político corrupto é o produto melhor acabado, nada mais resta ao cidadão senão recorrer à sua infinita capacidade de engolir sapos e se preparar para a próxima farsa.

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