Edição 298Novembro 2019
Sábado, 14 De Dezembro De 2019
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Publicado na Edição 247 Agosto 2015

Ora, o voto!

Luiz Carlos Ferraz

A praticamente um ano das próximas eleições, em outubro de 2016, quando serão renovados os cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador em todos os municípios brasileiros, um dado interessante, talvez uma preciosidade, mas que revela a balbúrdia do sistema e o quase colapso das instituições eleitorais do país, para ir parando por aí…, até esta data o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a instância máxima de vigilância e punição do processo democrático brasileiro, ainda não divulgou as datas do primeiro e do segundo turno do pleito – este para aquelas cidades com mais de 200 mil eleitores em que o prefeito eleito não tenha a maioria absoluta dos votos válidos, situação que em 2012 movimentou 50 dos 5.568 municípios em que houve eleição. É dispensável discorrer sobre a importância de se divulgar com antecedência as referidas datas, seja na agenda de eventuais candidatos, seja na de qualquer pessoa que pretenda organizar viagem ou coisa do gênero. Assim, o que poderia ser uma informação básica, aliás, um direito, resultado de planejamento em função do momento fundamental esperado pelo cidadão, quando efetivamente exercerá o direito de escolher aqueles que serão seus representantes políticos nos próximos quatro anos, no caso, em Prefeituras e Câmaras, enfim, podendo decidir os dirigentes que estarão ali pertinho, no âmbito das cidades e não encastelados em Brasília…, muito mais próximos de onde pulsa o âmago da cidadania; tal instante parece estar sendo tratado como coisa menor, gerando até insegurança e sendo motivo de especulação, quiçá de apostas, pois o primeiro turno poderá ser em 2 de outubro e, quem sabe, o segundo, em 30 de outubro. Entre uma data e outra, no calendário mal-ajambrado da democracia nacional, que pode surpreender alguns, mas a outros não gera qualquer inquietação, estarão os magistrados do órgão eleitoral preocupados com assuntos de maior relevância, sem dúvida alguma, como os efeitos do escândalo Petrobras na atual composição do Congresso Nacional, sintetizado nas denúncias do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por corrupção passiva e lavagem de dinheiro – o que a qualquer momento poderá resultar em seu afastamento do cargo, já que o político, como desafiou, não renunciará… – e que envolvem também, mais uma vez, o ex-presidente da República, senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) –, denúncias que se somam ao clamor das ruas pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Sim, não há dúvida que são assuntos de relevância, pois mudarão os destinos do país, mas, de forma alguma, deveriam ser capazes de fazer com que as autoridades responsáveis tratem outras questões essenciais como simples detalhe.