Edição 271Agosto 2017
Sábado, 23 De Setembro De 2017
Editorias

Publicado na Edição 258 Julho 2016

Algo que mora em nós

Nelson Tucci

Como evitar a rápida oxidação do cérebro? Ao pensar em uma resposta simples, direta, objetiva, em meio ao turbilhão em que vivemos hoje, logo nos vem outra à cabeça: um cérebro ativo colabora efetivamente para evitar o esgarçamento do tecido social? Se a estas perguntas existirem respostas afirmativas, seremos tentados a pensar que a sustentabilidade mora em nós. Afinal, a tecnologia é boa e todos gostam. Dias atrás a Justiça brasileira deu mais uma canelada no serviço de mensagens instantâneas WhatsApp, suspendendo-o em todo o território nacional. Para uma considerável parcela da população gerou-se uma situação de pânico. Você já avaliou o quanto é dependente de tecnologia hoje? Até que ponto os recursos tecnológicos, ou a falta destes, interferem no seu trabalho, saúde, relações sociais ou vida afetiva?

A tecnologia se incrusta às nossas vidas, sendo muitas vezes a extensão de nossos movimentos físicos e intelectuais. O fato é que hoje em dia um (a) operador (a) de caixa não consegue fazer uma continha simples, de adição e subtração, sem usar a calculadora para dar o troco. Na mesma toada, pessoas nomofóbicas (viciadas em internet e, neste caso, mais precisamente em celular) ficam digitando enquanto dirigem. O fato é que estamos nos condicionando a digitar e não a pensar. Estamos mudando o jeito de o cérebro produzir as sinapses. Algumas pessoas já trocam os flavonoides por chips e batatas chips. O risco é acelerarmos a oxidação do cérebro e a desprezar o contexto social. O mundo tecnológico é mais prático, mas não podemos ter a visão reducionista de que a vida pode ser resumida a um aparelho e dois aplicativos. Afinal, a sustentabilidade é algo que mora em nós e não devemos dar mole para a oxidação.