Edição 294Julho 2019
Quinta, 22 De Agosto De 2019
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Publicado na Edição 294 Julho 2019

Sandra Netto

Conjuntura econômica e perspectivas futuras

Beschizza: empresariado precisa sentir-se estimulado e seguro para investir

Conjuntura econômica e perspectivas futuras

Ricardo Beschizza

Apesar de a Bolsa ter rompido a casa dos 100 mil pontos, da Selic manter-se estável e a taxa para financiamento de imóveis ter caído, o mercado parece seguir em compasso de espera da reforma da Previdência.

Mas não é somente a reforma da Previdência que vai salvar nossa economia do atual sistema de coisas. Vão ficar faltando também as reformas Tributária e Política, bem como a adoção de regras que agilizem a vida do empresariado, permitindo que as relações comerciais sejam mais flexíveis e que não surjam surpresas pelo caminho.

A falta de maior interesse de investimento externo em nosso país passa exatamente por todas essas dificuldades e burocracias que enfrentamos e que fazem o “custo Brasil” ser ainda mais elevado e imprevisível.

Cabe ressaltar que, por muitos e muitos anos, o setor da construção civil também sofreu (e vem sofrendo) por conta da falta de previsibilidade e de segurança jurídica e econômica. Vivemos muitos momentos difíceis graças às crises internas e externas e, por vezes, com a falta de crédito tanto para a produção como para o consumidor final.

Um empreendimento tem um período de maturação relativamente longo. Desde a sua concepção, aprovação, construção e venda, podemos somar um período de cerca de cinco anos. Com isso, o que hoje é realidade, pode ter mudado completamente nesse lapso de tempo, trazendo grandes dificuldades para os construtores e incorporadores.

Hoje em dia, alguns pontos já representam bons avanços para o setor, notadamente, com a reforma Trabalhista e, mais recentemente, com a aprovação da Lei dos Distratos.

Que o segmento da construção civil pode assumir um grande papel na economia nacional por conseguir criar, em curto espaço de tempo, muitos postos de trabalho, é público e notório. Entretanto, para que tal situação se concretize, o empresariado precisa urgentemente sentir-se estimulado e seguro para investir.

Em nível local, a Assecob tem colaborado – há muitos anos – com as Prefeituras da Baixada Santista nas revisões dos Códigos de Edificações, Leis de Uso e Ocupação do Solo e Planos Diretores, sempre em defesa do interesse comum e em prol de uma renovação urbana que atenda às necessidades da população e que sejam economicamente viáveis para o empresariado.

Em Santos, temos acompanhando de perto o andamento do projeto da nova entrada da cidade, com uma série de alterações viárias, da nova Ponta da Praia e, nos últimos dias, as propostas apresentadas pelo escritório do urbanista Jaime Lerner para o Centro e bairros adjacentes.

Por falar em mobilidade, uma série de projetos que ainda não saíram do papel poderia trazer boas melhoras para a mobilidade local, como, por exemplo, a construção do túnel ligando as zonas Noroeste e Leste da cidade, e também as ligações entre Santos e Guarujá, seja com ponte ou com túnel (de preferência os dois!), permitindo um melhor fluxo de carros e caminhões e nos livrando dos constantes problemas que estamos enfrentando com a travessia de balsas.

Temos esperança de, em breve, voltarmos a viver uma nova onda de crescimento econômico, da produção, da oferta de postos de trabalho e uma melhor imagem externa, tirando nosso país desse revés que estamos enfrentando nos últimos anos!

Ricardo Beschizza é engenheiro civil, presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), com sede em Santos.