Edição 271Agosto 2017
Sábado, 23 De Setembro De 2017
Editorias

Publicado na Edição 252 Janeiro 2016

Divulgação

Síndrome do Pânico atinge jovens

Pessoas que não convivem bem com seus erros ou imprevistos

Síndrome do Pânico atinge jovens

A Síndrome do Pânico costuma atingir jovens entre 21 e 40 anos que se encontram em plena realização profissional, extremamente produtivos, que costumam assumir uma carga excessiva de responsabilidade e são bastante exigentes consigo mesmos. A avaliação é da psicóloga clínica e psicanalista Priscila Gasparini Fernandes, ao acrescentar que, normalmente, essas pessoas não convivem bem com seus erros ou imprevistos do dia a dia e possuem ainda uma tendência a se preocuparem excessivamente com problemas do cotidiano. Além disso, costumam ser muito criativas, perfeccionistas e tem excessiva necessidade de estar no controle, com expectativas extremamente altas, pensamento muito rígido e tendência a ignorar as necessidades físicas do corpo.

Neste contexto, em situações de perigo real, nosso organismo libera algumas substâncias que são os neurotransmissores: a serotonina e a noradrenalina. Este é o mecanismo de alerta e de defesa do cérebro para um ameaça iminente. Passado o momento de tensão, a tendência natural é a de voltarmos ao estado normal, sem que isto volte a nos perturbar.

Na Síndrome do Pânico, porém, o cérebro ativa esse mecanismo de alerta indevidamente, sem que haja nenhum fator desencadeante aparente. Ou seja, pessoas em situações comuns que de repente desenvolvem medos irracionais, que são as fobias, e começam a evitá-las. “A mente não reconhece a situação de perigo e o corpo desse indivíduo se descontrola por completo pela ação destes sintomas. Como consequência disso, as glândulas suprarrenais liberam adrenalina, fazendo com que a pessoa fique desnorteada e entre em pânico, induzindo a liberação de mais adrenalina. Ela acredita que está morrendo e ficando louco”, explica Fernandes. Os sintomas físicos comuns são sudoreses, tremores, falta de ar, dor no peito, palpitações, náuseas, tonturas, formigamentos e calafrios.

Um fato que dificulta o diagnóstico da doença é o tempo de crise, que dura em média 20 minutos. Sendo assim, ao chegar no pronto-socorro acaba sendo diagnosticado como um estresse comum. O tratamento busca o equilíbrio bioquímico cerebral, através de medicamentos seguros, preparando o paciente para que ele possa enfrentar seus limites e os problemas do cotidiano de uma maneira menos estressante. Tudo isso aliado a terapias pode dar bons resultados na recuperação do paciente ao longo dos meses.

A psicanalista orienta quem convive com outras que têm o problema: manter a calma na hora da crise, apenas apoiando a pessoa, sem tratá-la como coitada.