Edição 352Maio 2024
Quinta, 13 De Junho De 2024
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Publicado na Edição 330 Julho 2022

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Solução é álcool na veia!

Espera-se que o Brasil acelere a produção de álcool

Solução é álcool na veia!

Nelson Tucci

Assim como os anos 30 do século XX foram significativos em progresso científico e mudanças comportamentais, os anos 30 deste também devem apresentar muitas novidades, em nível global, como a aplicação das ODS, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). Na esteira dessas, a mobilidade vem forte com a proposta de substituição dos combustíveis fósseis – acelerando o carro elétrico (nos países do Norte, em especial) e o pragmático etanol, combustível renovável, que o Brasil tão bem conhece. A propósito, em 2030 a produção de etanol deverá chegar a 50 bilhões de litros/ano, prevê a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Ainda nos anos 1960 os árabes descobriram que o petróleo (posteriormente chamado de “ouro negro”) que jorrava com tanta facilidade, particularmente no Oriente Médio, era finito e que uma espécie de associação, de caráter internacional, poderia melhorar a exploração e dar uma contrapartida aos produtores. Daí nasceu a Organização do Países Produtores de Petróleo (OPEP), que, embora tivesse como membros-fundadores Irã, Iraque, Kwait, Arábia Saudita e Venezuela, sediou-se na “Terra da Valsa”, a Áustria de Johann Strauss – mas esta é outra parte da história.

Voltando ao petróleo, no início dos anos 1970 seu preço era de US$ 2,90 o barril. Isso mesmo, dois e noventa! Com a crise política instalada na região, durante a Guerra do Yom Kippur (com os Estados Unidos apoiando Israel contra seu então aliado político Reza Pahlevi, o Xá do Irã), o preço saltou para US$ 11,65 o barril em 1973. Era a chamada “primeira crise do petróleo”, vindo outra – “a segunda crise do petróleo” – em 1979, com a Revolução Islâmica no Irã, que levou os aiatolás ao poder.

Entre a primeira e segunda crise, o Brasil dos generais criou o Proálcool. Este, que foi um bem sucedido programa, fomentou a produção de 5,6 milhões de veículos movidos a álcool durante os anos 1975 a 2000. Além do combustível 100% brazuca, o país evitou a importação de aproximadamente 550 milhões de barris de petróleo (uma economia calculada em mais de US$ 11 BI), além de deixar de emitir cerca de 110 milhões de toneladas de CO2. No ano 1990, o então presidente Fernando Collor resolveu acabar com o Proálcool.

O fato é que esse cobiçado combustível, renovável, pode ser fartamente produzido em abundantes terras brasileiras. Só falta “combinar com os russos”, diz o dito popular, inspirado no ex-jogador Garrincha. Ou melhor, combinar com os usineiros pernambucanos, alagoanos e, sobretudo, os paulistas que, por meio da Única-União da Indústria de Cana de Açúcar, produzem quase 50% de todo o etanol brasileiro.

Com o novo perrengue da oferta de petróleo – motivado pela guerra da Rússia contra a Ucrânia, desde fevereiro último – volta a “solução brasileira” à pauta. Logo, espera-se que o Brasil acelere a produção deste combustível (que caiu como uma luva nos carros flex, desde que o preço não seja superior a 70% ao da gasolina).

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