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Publicado na Edição 330 Julho 2022

Somos Brasil/Divulgação

Cultura e arte formando cidadãos

José Virgílio: Instituto Arte no Dique completou 20 anos

Cultura e arte formando cidadãos

O agente cultural José Virgílio gravou seu depoimento ao Programa Memória-História Oral no dia primeiro de julho de 2022, no Instituto Arte no Dique, entidade da qual é presidente. Na entrevista, Virgílio contou sobre sua carreira como músico e produtor musical de grandes artistas brasileiros, sua vida pessoal e como veio para Santos e fundou o instituto que tem reconhecimento internacional pelo trabalho de inclusão que executa.

José Virgílio Leal de Figueiredo nasceu em 4 de março de 1949, em Salvador, na Bahia. Sempre esteve envolvido com grandes nomes da música e da arte, como Moraes Moreira, Margareth Menezes, Gilberto Gil e Pepeu Gomes. Saiu da Bahia no início dos anos 2000 para organizar uma micareta na região do ABC Paulista. Licenciado do grupo Olodum, do qual foi diretor de produção por cinco anos, recebeu um convite profissional da produtora de Ivete Sangalo, mas negou para continuar o trabalho em São Paulo.

Quando chegou, além da micareta, criou um projeto social no ABC em parceria com o Olodum para apresentar a percussão aos jovens da comunidade. O projeto foi um sucesso e o grupo de alunos percussionistas veio se apresentar, juntamente com o músico José Simonian, no SESC de Santos. A partir desse evento, Zé Virgílio encontrou novos parceiros em Santos e iniciou, então, um trabalho na comunidade do Caminho da Capela, na Zona Noroeste da cidade. Era o embrião do Instituto Arte no Dique, projeto social que completou 20 anos e atende diariamente cerca de 500 pessoas da comunidade do Dique da Vila Gilda, uma das maiores favelas sobre palafitas do Brasil e do mundo.

Segundo Virgílio, “o principal objetivo do Arte no Dique é a inclusão social e a formação de cidadãos por meio da arte e da cultura. Através de vários cursos e oficinas, principalmente pela percussão, nós apresentamos novas oportunidades para essas pessoas. E queremos quebrar o estigma de que elas vivem na boca de fumo e não merecem respeito”.

A Banda Querô é um dos grandes projetos do instituto, com repercussão nacional e internacional. Há outros importantes e já consagrados, inclusive que constam do calendário de eventos da cidade de Santos: a Mostra Cultural Arte no Dique, que acontece desde 2011 e reúne grandes nomes da arte regional e nacional; o Som das Palafitas, um festival de música instrumental; o Arraial do Dique, que resgata o cancioneiro das festas juninas; e a Primavera Cultural, que acontece em setembro.

Além dos eventos durante o ano, o Instituto Arte no Dique oferece várias oficinas, como percussão, dança, capoeira, violão, ciências do mar, discotecagem, barista, audiovisual, games, panificação, manicure. Além disso, são atendidas diariamente 260 crianças no projeto Educação Integral, da Prefeitura de Santos, oferecendo reforço escolar e atividades culturais e esportivas no contraturno, ou seja, no período em que elas estão fora da escola.

Sobre como a comunidade da Vila Gilda acolhe o projeto, Zé Virgílio afirma que “todos recebem muito bem e são nossos parceiros. Nunca tivemos nenhum problema de depredação do prédio ou falta de segurança, por exemplo. Existe um respeito muito grande, principalmente porque os filhos dos moradores da comunidade estão aqui dentro. As pessoas entram e saem daqui quando querem e conhecem as regras. Muitos fazem festa de aniversário aqui, porque não têm condições de receber as pessoas nos barracos. Este espaço foi construído para eles utilizarem e por isso devem preservar, e eles sabem disso”.

A entrevista completa de José Virgílio está no canal do Programa Memória-História Oral no Youtube, através do link www.youtube.com/programamemoriahistoriaoral

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br

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