Edição 353Junho 2024
Sexta, 19 De Julho De 2024
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Publicado na Edição 335 Dezembro 2022

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Habitação para vítimas de desastres naturais

Grande incidência de desastres climáticos e ocupações irregulares geram demanda de habitação

Habitação para vítimas de desastres naturais

Muito comum no Brasil, regiões de risco são caracterizadas por condições inadequadas de moradia e maior probabilidade a desastres ambientais. Além da falta de acesso à educação, saneamento e transporte, a população que vive nessas regiões também é afetada pelos desastres climáticos. A partir da alta demanda de habitação temporária no país e grande incidência de desastres climáticos, a estudante de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Luísa Mello, realizou pesquisa que propõe modelos habitacionais voltados a vítimas de desastres, adequados a diferentes climas brasileiros.

“Além do conforto estabelecido para as diferentes zonas bioclimáticas brasileiras, o estudo buscou se atentar à garantia do direito à moradia adequada, sobretudo no que diz respeito à habitabilidade, acessibilidade e adequação cultural”, afirma Luísa. Para realizar o estudo, do tipo exploratório, foram analisados 77 livros científicos, assim como a política habitacional brasileira no contexto dos desastres naturais.

Para as soluções projetuais foi apresentado um modelo habitacional com adaptações para três diferentes contextos bioclimáticos identificados no Brasil: clima quente e seco, clima quente e úmido e clima frio e úmido. De acordo com Luísa, a intenção é que os modelos desenvolvidos sirvam como um módulo embrião no contexto do abrigo temporário, podendo ampliar-se para atender às vítimas de desastres naturais de forma permanente.

A pesquisa de iniciação científica foi orientada pela professora de Arquitetura e Urbanismo do CEUB, Ludmila Correia, e usou como base as premissas do projeto “Fortalecimento da Cultura de Gestão de Riscos de Desastres no Brasil – BRA 012/17”. Esse é um projeto voltado ao desenvolvimento de um protótipo de habitação emergencial para situações pós-desastres, desenvolvido pelo Instituto Avaliação (IA) a partir de Edital da Secretaria da Defesa Civil Nacional (Sedec/MDR), em parceria com o Programa das Nações Unidas (PNUD).

Para adequar os modelos habitacionais a três grupos climáticos brasileiros, a estudante optou por utilizar o sistema construtivo de paredes e cobertura em Wood Frame da marca Tecverde, material certificado pelo Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat com desempenho térmico favorável em todos os cenários estudados. A proposta inclui esquadrias com áreas de ventilação diferentes, estratégias bioclimáticas de condicionamento térmico passivo, além da orientação solar adequada dos cômodos. De acordo com levantamento feito pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), com base em dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres do Ministério do Desenvolvimento Regional (S2ID/MDR), ocorreram mais de 50 mil desastres naturais no Brasil entre 2013 e 2022. O estudo indica que esses desastres impactaram cerca de 340 milhões de pessoas. Considerando a quantidade de vítimas de desastres naturais que devem ser atendidas com medidas urgentes e céleres, foi fundamental conciliar a necessidade de rapidez construtiva com as variadas demandas que podem existir entre diferentes famílias.

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