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Sexta, 19 De Julho De 2024
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Publicado na Edição 337 Fevereiro 2023

Daniel Mansur/Divulgação

Edifício art déco restaurado

Edifício Rafaello Berti: preservação da memória e identidade da capital mineira

Edifício art déco restaurado

A Multicult encerrou as obras de recuperação e restauro da fachada do edifício Raffaello Berti, um dos mais importantes representantes do estilo art déco na capital mineira. Construído em 1946, durante processo de ampliação da Rede Ferroviária Federal, o edifício integra o circuito arquitetônico da Praça da Estação. Entre suas principais características estão a simetria, uso de linhas retas, limpeza ornamental e o emprego de revestimento em pó-de-pedra nas fachadas. O estilo é bastante urbano e está presente em várias edificações da capital mineira.

O projeto é assinado pelo arquiteto italiano que deu seu nome ao prédio. Berti se transferiu para a capital mineira em 1929, a convite de Luiz Signorelli, depois de passar uma temporada no Rio de Janeiro, e em Belo Horizonte transformou-se numa referência na área. Foi responsável pelo projeto de diversos outros prédios importantes da cidade, como a sede da Prefeitura e dos Correios, Santa Casa de Misericórdia, o Palácio Cristo Rei, na Praça da Liberdade, Colégio Marconi, a Feira de Amostras, o Cine Metrópole.

Por conta da sua função, o prédio foi construído como um anexo do Casarão da Sapucaí (que também passa por um processo de restauro), onde funcionava a sede oficial da Rede Ferroviária Federal. Com a expansão, a entidade passou então a ocupar as duas edificações. O prédio, tombado pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte, abriga hoje a sede da Vli, empresa especializada logística.

Desde 2019, as fachadas vêm sendo inteiramente restauradas, devolvendo ao edifício as suas características originais, além de contribuir para a preservação da memória e identidade da cidade. Para execução do restauro da fachada, a Multicult, empresa proponente e gestora do projeto, investiu na contratação de equipe multidisciplinar, que buscou salvaguardar todo o conjunto arquitetônico. Durante a primeira etapa, foram restauradas as fachadas 01, 02 e 03. Agora, durante a segunda fase de recuperação, foram recuperadas as três fachadas remanescentes, encerrando assim o trabalho. As obras foram realizadas graças aos recursos obtidos por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, que possibilitou a recuperação de uma área de 2.277,25 metros quadrados.

A arquiteta Katarina Grillo é uma das profissionais envolvidas no acompanhamento das obras de restauro da fachada do edifício. Ela salienta que o desafio foi enorme uma vez que esta foi a primeira obra de preservação desde a construção do prédio: “As fachadas e esquadrias estavam impregnadas de sujeira, marcas advindas de fuligem, CO2 e fungos ocasionados em função da umidade e da incidência de chuvas, ocasionando manchas aparentes em toda a estrutura”.

Após o diagnóstico realizado por especialistas na área, foi realizada uma limpeza de todas as faces de fachada do edifício e também das esquadrias com a técnica de hidrojateamento para não danificar os revestimentos. Alguns trechos estavam danificados por aberturas de vãos para instalação de aparelhos de ar condicionado, recortes para colocação de dutos elétricos e de água, além de uma série de furos para fixação de aparelhos, tubulações e fiações. Os trechos danificados foram reconstituídos, com os devidos acabamentos e a pintura com tinta mineral. Todo o trabalho foi desenvolvido de forma bastante minuciosa e conta com o acompanhamento periódico dos órgãos de proteção do patrimônio, como o Iphan/MG e Prefeitura de Belo Horizonte.

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