Edição 352Maio 2024
Sexta, 14 De Junho De 2024
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Publicado na Edição 329 Junho 2022

Pressentimentos

Luiz Carlos Ferraz

Convenhamos, se Jair Bolsonaro fosse bom mesmo nos pressentimentos que diz ter, quantos desatinos não teriam sido evitados nos últimos quatro anos de exercício na Presidência do Brasil? Seja no enfrentamento da crise sanitária, na condução dos assuntos econômicos, ou mesmo nos assuntos domésticos – nos quais familiares e vizinhos de porta se envolveram e que, só mesmo utilizando as chicanas proporcionadas pelo ordenamento jurídico do país, driblam o cerco que, aqui e ali, surge nas investigações de setores comprometidos, ou melhor, descomprometidos, da Polícia Federal e Ministério Público. No caso do pressentimento certeiro que teve em relação ao ex-ministro e ex-amigo, desgraçadamente um calunga de nascimento, o pastor Milton Ribeiro, não se pode dizer que tenha sido propriamente uma exceção. Muito pelo contrário. Afinal, ao classificar de “pressentimento” a informação privilegiada que recebeu de algum subordinado (o que, aliás, não seria a primeira vez!), Bolsonaro nada mais fez que tentar proteger um dos seus, e também se proteger, de revelações que poderiam surgir a partir da busca e apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos no Ministério da Educação. A estratégia revelou-se um tremendo fiasco; e, a bem da verdade, não era mesmo capaz de convencer quem acompanha a política palaciana, sacudida pelos seguidos insucessos do presidente em suas vãs tentativas de sentir a realidade de forma antecipada. Tanta leitura falsa da bola de cristal só serve para embaçar a realidade, pois no avanço das investigações para se apurar a corrupção no MEC, é perfeitamente possível a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso – o que seria mais um escândalo do atual governo. Não, mil vezes não; o presidente não adivinha e não tem conhecimento sobre presságios. Aliás, do jeito como atropela o calendário eleitoral, na desesperada busca pela reeleição – e diante das pesquisas de intenção de voto –, seu pressentimento não deve ser bom.

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