Edição 353Junho 2024
Sábado, 22 De Junho De 2024
Editorias

Publicado na Edição 352 Maio 2024

Irmão Caramelo

Luiz Carlos Ferraz

Entre tantas lições ensinadas na tragédia que assolou o Rio Grande do Sul, merece atenção aquela protagonizada pelos animais. Não aludo apenas ao drama de Caramelo, o cavalo que será eternizado como sinônimo de paciência e fé, mas de outros tantos bichos, anônimos, de diferentes espécies, cujo resgate projetou um alvissareiro avanço na solidariedade inerente à condição humana. Certo que o status dos animais, em lapsos temporais indeterminados, parece algumas vezes regredir – quando se avolumam as denúncias de maus-tratos e tráfico de espécies ameaçadas –, enquanto noutras a perspectiva é de efetivo reconhecimento da importância desses seres – como na proclamação da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, pela Unesco, em Bruxelas, em 1978. Some-se a isto o fato de que, 10 anos depois, o princípio da dignidade animal foi recepcionado pela Carta Magna brasileira, vedando as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. Hoje, é preciso avançar nesta dialética, pois o animal é cada vez mais aceito como membro da família. O que se espera, portanto, é que o aprendizado proporcionado pela catástrofe no Sul do país sensibilize as autoridades em seus diferentes níveis, para que atualizem todo e qualquer diploma legal que trate do tema, visando com que o convívio social entre animais e humanos seja visto com o mesmo olhar fraterno do irmão Caramelo.

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