Edição 351Abril 2024
Terça, 21 De Maio De 2024
Editorias

Publicado na Edição 351 Abril 2024

Cuidados permanentes

Luiz Carlos Ferraz

Cada vez mais se fala, especialmente nas rodas políticas, em cuidar de pessoas, seja do idoso, ou da criança, ao se florear o discurso quase unânime sobre a necessidade de se formular uma política pública que ofereça cuidados à pessoa em situação de rua. Evidente que, numa sociedade mais justa, nem seria preciso pugnar por programas com esta finalidade, ainda mais neste ano eleitoral, quando propostas e promessas serão reapresentadas pelos candidatos, para serem esquecidas logo após o resultado das urnas. No litoral paulista não será diferente. Afinal, se hoje não se vislumbra no horizonte programa algum comprometido em resolver os problemas dessa população – além daquele cujo atendimento inicia com o acionamento da guarda municipal armada –, não há dúvida que isto se deve à falta de vontade dos governantes de plantão. O abuso do bordão, de deixar do jeito que está para ver no que vai dar, demonstra que o contingente de pessoas que vive na rua nunca deixará de existir, de per si, se não houver ações efetivas de inclusão. O que se exige não é muito, apenas o acompanhamento de profissionais treinados para realizar as tarefas com amor. Trata-se de um atendimento que deve ser personalizado caso a caso, pois são pessoas que precisam muito mais do que um pedaço de pão e um banho; elas necessitam de cuidados permanentes para conseguir viver com um mínimo de dignidade. E assim como elas têm direitos, o administrador tem obrigações, entre as quais a de criar condições para que tais direitos sejam satisfeitos. Do contrário, não há porque se candidatar a cargo público.

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