Edição 353Junho 2024
Segunda, 24 De Junho De 2024
Editorias

Publicado na Edição 351 Abril 2024

Divulgação

Vídeos reconhecem vencedores

Projetos participaram de exposição na sede do Instituto Tomie Ohtake

Vídeos reconhecem vencedores

O Instituto Tomie Ohtake e a AkzoNobel lançaram, no canal do Youtube do instituto, em www.youtube.com/@tomieohtake, os vídeos experimentais sobre os três projetos premiados na categoria Profissional do 9° Prêmio Arquitetura Tomie Ohtake AkzoNobel: Casarão 28, de Naia Alban; Centro de Referência Quebradeiras de Babaçu, do Estúdio Flume; e Rota do São Benedito, do Coletivo Cidade Quintal.

O prêmio buscou reconhecer as produções arquitetônicas de destaque na cena contemporânea brasileira, valorizando as formas inovadoras de pensar e construir o espaço social, contribuindo com a arquitetura nacional nos seus mais variados contextos. Os projetos selecionados participaram de exposição na sede do instituto e foram apresentados em catálogo.

Diversas mudanças foram implementadas para que as obras selecionadas pudessem potencializar diálogos entre si, evitando que fossem vistas como objetos isolados. A proposta curatorial se dedicou a apresentar desenhos, fotografias, maquetes, objetos, cadernos, relatos e vozes que mostraram caminhos para realizar aproximações e interpretações sobre os espaços, programas, processos e resultados. A reintrodução da categoria Universitária – realizada na edição de 2019 – ampliou o interesse pelo caráter investigativo das práticas de projeto e contemplou, em sua exposição, pesquisas e projetos acadêmicos de várias regiões do Brasil. “Esperamos que o caráter reflexivo e propositivo do prêmio possa ganhar circulação e recepção pelo público interessado e que consiga inserir o debate sobre nossas cidades e os modos como habitamos e vivenciamos o mundo nas diversas instâncias da sociedade”, afirmam Carol Tonetti, gerente de Educação, e a curadora Sabrina Fontenele.

Projetos inovam formas de pensar e construir o espaço social

Manuel Sá/Divulgação

Casarão 28: intervenção econômica e sustentável

Casarão 28, Salvador/BA, de 2022, roteiro e direção de Alan dos Anjos. A intervenção da arquiteta Naia Alban neste imóvel do século XVIII, localizado no centro histórico de Salvador, revela uma alternativa econômica e sustentável para a conservação de edifícios antigos, além de transformar a cadeia produtiva da construção. O projeto priorizou a reutilização de materiais de demolição e recicláveis de outros canteiros de obras da mesma cidade, para realizar as intervenções propostas pela arquiteta. O vídeo de Alan dos Anjos capta o modus operandi desse processo, mostrando os materiais vindos de outros canteiros e sendo adaptados/instalados por trabalhadores-artesãos. O atual Casarão 28 é o resultado dessas ações, reconfigurando espaços e enfatizando a reutilização de materiais, especialmente a madeira.

Centro de Referência: colaboração com as quebradeiras de coco

Centro de Referência Quebradeiras de Babaçu, Povoado de Sumauma, Vitória do Mearim/MA, de 2022, produção de Marina Licke, imagens e montagem de Luara Oliveira, finalização de Alexandre Taira. O projeto elaborado pelo Estúdio Flume para o Centro de Referência Quebradeiras de Babaçu aborda inicialmente uma prática de apoio a uma comunidade, de um fazer realizado por mulheres, sua conexão com o território e a natureza, para depois discutir a arquitetura. Arquitetura que se comprometeu de forma prática com as mudanças socioambientais exigidas pelo nosso tempo e apresentadas de maneira educativa à comunidade do povoado de Sumauma. O processo de elaboração do projeto foi realizado em colaboração com as mulheres quebradeiras de coco, vinculando-se aos processos produtivos, buscando melhorar as condições de execução do fazer delas e se propondo a articular e atender outras demandas comunitárias no espaço. Mais do que a própria arquitetura, vídeo aborda o cotidiano dessas mulheres, alinhado à ideia inicial do projeto.

Thais Gobbo/Divulgação

Rota de São Benedito: fundamento na memória, nas histórias contadas e nos lugares

Rota do São Benedito, Vitória/ES, de 2022, direção, edição, roteiro e fotografia de Francisco Xavier. A criação da Rota de São Benedito partiu de um levantamento colaborativo realizado pelo coletivo Cidade Quintal junto aos moradores do Bairro São Benedito, em Vitória/ES. A rota, projeto que ultrapassa os entendimentos clássicos sobre arquitetura e urbanismo, se fundamenta na memória, nas histórias contadas e nos lugares que as conectam, dando origem ao circuito histórico-cultural Rota do São Benedito, composto por oito pontos de interesse determinados e priorizados pela comunidade local. O território ativado pela Rota está localizado a oeste de uma extensa avenida que corta a cidade, uma espécie de fronteira entre a área predominantemente habitada por pessoas brancas e aquela que pode ser identificada como sua região mais negra. Essa área abriga morros onde estão situadas comunidades provenientes de antigos quilombos, incluindo o bairro São Benedito. Apesar da vida pulsante, o bairro não fazia parte, até então, do circuito turístico da cidade e passa a ter, com a rota, novas possibilidades socioculturais e econômicas. O filme de Francisco Xavier retrata a iniciativa e o percurso, através de depoimentos de moradores e de turistas que visitam o local.

Responder