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Publicado em 24/05/2024 - 6:58 am em | 0 comentários

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Congresso da Socesp debaterá cigarro eletrônico, prevenção e tratamento

Vape reduz expectativa de vida

Congresso da Socesp debaterá cigarro eletrônico, prevenção e tratamento

Moda entre os jovens e artifício utilizado pelos mais velhos para evitar o tabaco convencional, o cigarro eletrônico – conhecido como vape – reduz em até 14 anos a expectativa de vida das mulheres e em 10 a dos homens. Avaliação feita por estudos internacionais, o tema será debatido no Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), que ocorrerá em São Paulo, nos dias 30, 31 de maio e 1º de junho, com debates sobre os diversos aspectos do impacto do fumo no sistema cardiovascular. O Dia Mundial sem Tabaco será no meio do evento, em 31 de maio.

Assessora científica da Socesp, especialista no tratamento do tabagismo, Jaqueline Scholz explica que a redução da expectativa de vida se dá por que os consumidores de cigarros eletrônicos apresentam índices de nicotina no organismo equivalentes a fumar 20 cigarros convencionais por dia. “O coração é o órgão mais prejudicado pela nicotina. A substância é responsável por liberar adrenalina, que acelera o coração, aumenta o consumo de oxigênio e a pressão arterial. Este processo favorece a aterosclerose, o infarto, a morte súbita e o AVC”, afirma a cardiologista, que será palestrante no congresso. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de oito milhões de pessoas morrem por ano por causa do tabaco.

Em meio à polêmica sobre a legalização do cigarro eletrônico no país, pesquisas mostram que, em nações que legalizaram o uso, o número de usuários é o triplo em comparação com o próprio Brasil e Tailândia, por exemplo, onde existe a proibição. “Alguns modelos funcionam com o ‘sal de nicotina (pods)’, que produz dependência mais rápida que o cigarro convencional. Uma vez inalada, ela estimula a liberação de neurotransmissores, como a dopamina, responsável pela sensação de prazer, bem-estar e relaxamento. Apesar de não expor o usuário ao monóxido de carbono, uma vez que não ocorre combustão (o aquecimento é feito por bateria), o vape promove a dependência de nicotina”, explica Jaqueline. E mais: os eletrônicos emitem mais nanopartículas que os cigarros convencionais. Estas partículas ultrafinas (100 nanômetros) são responsáveis pela asma e por agravos ao endotélio, corroborando para o infarto e o AVC.

Seja o cigarro convencional ou o eletrônico, é fundamental tratar a dependência, com ajuda de especialistas. Estimativas da Socesp, com base em estudos nacionais e internacionais, apontam que apenas entre 3 e 5% daqueles que tentam parar de fumar sem ajuda são bem-sucedidos. “Existem tratamentos que podem incluir reposição de nicotina e medicamentos que, a critério médico, serão escolhidos. O tratamento não é para a vida toda, dura três meses. Parar de fumar não é substituir um produto por outro, como alguns usuários do eletrônico afirmam. A adoção do conceito de redução de danos, indevidamente apropriada pela indústria do tabaco, não passa de mais uma estratégia de marketing”, alerta a assessora científica da Socesp.

Existe ainda o risco para os fumantes passivos. Pesquisa feita pela Socesp com 2.764 entrevistados de Araçatuba, Araraquara, Bauru, Osasco, Ribeirão Preto, São Carlos, São José do Rio Preto, Sorocaba, Vale do Paraíba e a capital aponta que 23% dos paulistas respiram a fumaça dos outros regularmente. “O cigarro mata mais de 440 pessoas por dia no Brasil. Precisamos seguir encontrando meios para acabar com todas as formas de tabagismo”, enfatiza a especialista.

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