Edição 327Abril 2022
Quinta, 26 De Maio De 2022
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Publicado na Edição 322 Novembro 2021

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Hora de largar o combustível fóssil!

COP26: atitude para frear as emissões de carbono

Hora de largar o combustível fóssil!

Nelson Tucci

Ou o mundo para de emitir gases do efeito estufa (GEE) do jeito que faz hoje, e segura o grau máximo de aquecimento em 1,5º C nas próximas décadas, ou… vai pagar para ver. Entre os “juros” de se estourar o limite estão previstos tsunamis, enchentes avassaladoras, desertificação e toda uma série de eventos capazes de envergonhar o mais ousado diretor de filmes de ficção. Além da agricultura, os veículos a motor respondem significativamente pela emissão dos tais gases do efeito estufa, daí a insistência nos motores elétricos e no fim do combustível fóssil.

Números e promessas não faltam. Se o 1º Anuário da Mobilidade Elétrica estiver certo, o Brasil tem hoje menos de 0,1% de sua frota de automóveis no modo elétrico ou híbrido. Em números redondos isso equivale a 40 mil veículos, de uma frota total superior a 46 milhões. Recentemente, o presidente da Anfavea (associação das montadoras), Luiz Carlos Moraes, comentou estudo mostrando que os modelos elétricos poderão representar até 62% da frota. Mas isto só em 2035 e se até lá tudo der certo – com a devida adaptação das fábricas de autos e o avanço da infraestrutura para este modelo de combustível, no país.

De qualquer forma, o país vai expandindo a frota ainda que a passos de cágado. No primeiro semestre deste ano, por exemplo, foram emplacados 14.000 unidades de híbridos/elétricos. O custo é anda impeditivo para se popularizar os modelos que, no geral, custam o dobro dos modelos convencionais. Recentemente, a JAC Motors anunciou a importação do modelo E-J7 (elétrico), que custa o mesmo que os sedãs premium disponíveis no mercado nacional. Mas por se tratar de comparação com modelos “premium”, o preço é de R$ 260 mil.

Mais e mais varejistas estão substituindo modelos fósseis (de caminhões, inclusive) por outros “ambientalmente corretos”. A locadora Unidas, por exemplo, aluga frota de 100 modelos (Kangoo E-Tech Electric, da Renault) para as Lojas Americanas. As montadoras instaladas no Brasil, no geral, têm emitido menos CO2, em relação a anos anteriores. Há programas de melhoramento, como anunciou recentemente a GM. A Volkswagen reformulou várias linhas, em São Bernardo do Campo/SP, e a Hyundai (da fábrica de Piracicaba/SP) ganhou selo atestando a progressão do modelo industrial de baixo carbono.

A questão agora é: vai sobrar coragem para se meter o pé nos combustíveis fósseis – dando um chega para lá mesmo no lobby –, de uma vez, economizando-se planeta, ou o setor vai dar um cavalo de pau e voltar algumas casas no tabuleiro?

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