Edição 305Junho 2020
Domingo, 05 De Julho De 2020
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Publicado na Edição 303 Abril 2020

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Em ponto morto

É difícil falar em números, quanto mais emitir um simples palpite baseado na borra de café, posição dos astros ou nas cartas de tarô...

Em ponto morto

Nelson Tucci

Como será o amanhã

Responda quem puder (bis)

O que irá me acontecer

O meu destino será como Deus quiser

Samba-Enredo da União da Ilha/RJ, em 1978

O que vai acontecer com a economia mundial daqui a três meses? E com o Brasil? Que setores estarão mais afetados? Quais reagirão primeiro? Como fechará o Produto Interno Bruto em 31 de dezembro?

São perguntas e mais perguntas tomando conta do brasileiro – a exemplo do que ocorre em outros países – que tenta entender o que está acontecendo e como ele irá viver (ou sobreviver!) nas próximas semanas/meses em meio à pandemia.

Certamente os economistas e as cartomantes devem estar com altas demandas no período atual. São feitas projeções de cenários que, como sabemos, nem sempre se confirmam. Em alguns casos chegam a passar (muito) longe da realidade, como nos ensina a história. Daí ficar difícil falar em números, quanto mais emitir um simples palpite baseado na borra de café, posição dos astros ou na carta de tarô (cujo “enforcado” deveria ser guardado em lugar incerto e não sabido antes de se embaralhar o monte).

O fato é que a indústria automobilística nacional, geradora de aproximadamente 22% do PIB e responsável pelo emprego de mais de 120 mil pessoas (metade das quais em solo paulista), está nas cordas – como se diz no boxe. Com a economia paralisada, as concessionárias fechadas, o desemprego comendo solto (era de 12 milhões antes da quarentena e hoje, certamente, já é bem maior) e a falta de um chão para sentir onde pisa, poderá faltar ânimo para a retomada.

Mas como a vida é feita de desafios, está aí mais um para se enfrentar: que mecanismos serão colocados à disposição desse importante setor para se fazer a roda girar novamente? A questão não será apenas a produção, que reage rápido porque a indústria é bem equipada, tem know-how e dinheiro. A equação a ser resolvida está na outra ponta: quem vai comprar?

Bem antes do novo coronavírus pegar uma carona até os pampas, a Argentina já tinha jogado a toalha. Em 2019, comparado com o ano anterior, o Brasil exportou -31,9% enviando apenas 428,2 mil veículos (de um total de 2,8 milhões produzidos) para o exterior. Como a Argentina é o nosso grande mercado externo, nesse segmento, a situação autoexplicou-se.

O mercado interno esteve bem, já que consumiu 2,7 milhões de unidades, representando crescimento de 8,6% sobre o ano anterior (2018). A propósito, 2019 foi o melhor ano desde 2014. E o que será de 2020? A produção – já sendo retomada gradualmente no Sul do país – deverá estar integralmente estabelecida desde 22 de abril até a primeira semana de maio.

Com a Argentina na lona e os brasileiros – que não quebraram o nariz no chão nas últimas semanas – cada dia mais céticos, torna-se difícil qualquer prognóstico. E se racionalmente é complicado escrever, então vamos torcer para que governo e empresários sejam criativos o bastante para nos surpreender.

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