Edição 271Agosto 2017
Domingo, 24 De Setembro De 2017
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Publicado na Edição 266 Março 2017

Acervo FAMS

Teatro Guarany. Palco de grandes fatos históricos

Teatro Guarany em postal do começo do século 20

Teatro Guarany. Palco de grandes fatos históricos

Segundo teatro mais antigo da cidade, o Guarany (1882), foi erguido com recursos doados por grandes empresários do café. Sua obra durou dois anos até que, em 7 de dezembro de 1882, abriu as portas para o público santista, que assistiu, na estreia, as peças Mário, de Eduardo Cadendu, e Lucrécia, ambas apresentadas pela Companhia Recreio Dramático da Corte.

O maior destaque da inauguração, porém, foi a apresentação, durante o intervalo, da orquestra regida pelo maestro Luiz Arlindo da Trindade, que executou peças do compositor brasileiro Carlos Gomes, abrindo a apresentação com a sinfonia “O Guarani”.

O garboso teatro não ocupava, na vida santista, apenas o papel de espaço de entretenimento. Seu palco foi também cenário de grandes e importantes manifestações de ordem política e social, especialmente nas campanhas abolicionistas e republicanas. Negros escravos chegaram a ser libertados depois de participarem das peças teatrais no Guarany.

Decadência

Com o advento do segundo Teatro Coliseu, em 1924, o Guarany ficou obsoleto, uma vez que não dispunha dos avançados recursos técnicos que a concorrência oferecia. Desta feita, caiu em decadência até que, a partir dos anos 1960, transformou-se em cinema de baixa categoria, como também palco para sessões de strip-tease, frequentado por prostitutas e clientes da zona do meretrício santista.

Em 14 de fevereiro de 1981 um incêndio encerrou definitivamente as atividades do velho prédio. O sinistro foi tão grave, que só a fachada sobreviveu.

Ressurgimento

Por mais de 20 anos as ruínas do Guarany envergonharam a cidade. Alvo de disputas judiciais, o velho teatro acabou desapropriado pela Prefeitura de Santos, em 2003. Graças aos recursos privados incentivados pela Lei Rouanet, o Guarany foi resgatado. No dia 7 de dezembro de 2008, um dos templos culturais mais importantes da cidade reabriu suas portas, não só para as artes puras (teatro, música, literatura), mas também para servir de foro de discussão aos temas importantes da sociedade.

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br