Edição 278Março 2018
Segunda, 23 De Abril De 2018
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Publicado na Edição 275 Dezembro 2017

Gilberto Marques/A2img

Finalizado o restauro das fachadas

O governador do Estado de São Paulo, participa da entrega do 27º e 28º novos trens para a CPTM - Linha 7 - Rubi e da entrega do restauro das fachadas e esquadrias e do relógio da torre do Museu da Língua Portuguesa. Local: São Paulo/SP Data: 06/12/2017 Foto: Gilberto Marques/A2img

Finalizado o restauro das fachadas

A primeira fase da restauração do Museu da Língua Portuguesa, no Centro da capital paulista, foi encerrada em dezembro. Os serviços envolveram as fachadas e esquadrias e também incluiu a reativação do tradicional relógio da torre da Estação da Luz. As obras agora avançam para a reconstrução da cobertura do edifício, restauro dos pátios e torreões, interior do prédio e, por último, a instalação da museografia, com o rico acervo sobre o patrimônio imaterial da língua portuguesa.

Construído em 1901, o edifício é um dos principais ícones de São Paulo e foi atingido por um incêndio de grandes proporções em dezembro de 2015. O fogo começou no primeiro andar e rapidamente alcançou os dois andares superiores e o telhado do edifício, que abriga o museu desde a sua criação, em 2006. Os estragos acabaram motivando o governo do Estado a restaurar toda a Estação da Luz, inclusive a parte que não pegou fogo.

A reinauguração do Museu está prevista para 2019. No início de dezembro o governador Geraldo Alckmin vistoriou as obras de restauro e confirmou que a cobertura de zinco, compreendendo 27 toneladas, foi adquirida no Peru e já chegou ao Porto de Santos. “Teremos um museu ainda mais moderno e interativo, fortalecendo nossa cultura e a língua portuguesa”, disse Alckmin, ao explicar que a nova cobertura conserva a volumetria externa do edifício e ganha nova configuração em seu interior: as peças de madeira serão combinadas a cabos de aço na sustentação do telhado, que vai ser revestido com zinco, garantindo a leitura contemporânea desta intervenção no edifício, reconhecido como patrimônio histórico nacional.

As peças de madeira serão confeccionadas com madeira certificada da Amazônia, atendendo às exigências de sustentabilidade do projeto, uma vez que o Museu da Língua Portuguesa pretende obter certificação internacional para construções sustentáveis. O restauro está focado na obtenção do selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) na categoria Silver. O LEED é uma certificação para construções sustentáveis, concebida e concedida pela organização não-governamental americana U.S. Green Building Council (Usgbc). Entre as ações previstas estão, além do uso de madeira certificada, a redução do consumo de energia, coleta de água de chuva para irrigação e gestão de resíduos durante a obra.

“Participar do ressurgimento de um dos principais espaços da gestão estadual de cultura é um dever e um privilégio”, afirmou o secretário da Cultura do Estado, José Luiz Penna: “A celebração da nossa língua, da nossa cultura, da nossa história é fundamental para o necessário sentimento de nação. Outro dado importante é o uso de madeira certificada na cobertura, garantindo a sustentabilidade da obra”.

O uso da madeira em grandes espessuras na cobertura é uma recomendação dos bombeiros e de especialistas, pois o material resiste melhor a incêndios do que estruturas metálicas – em caso de exposição a fogo, apenas a camada externa das peças é afetada, o que garante que a estrutura resista por mais tempo. Essa característica ficou comprovada no incêndio que atingiu o museu, quando a estrutura do telhado resistiu e as peças de madeira, depois de recuperadas, puderam ser reaproveitadas.

Datada de 1946, a madeira da cobertura queimada (peroba do campo) foi utilizada na restauração das esquadrias e fachadas. Cerca de 85% da madeira necessária para a recuperação das esquadrias foi reutilizada do material já existente no edifício: dos 20 m³ de madeira necessários para a restauração das esquadrias, 17 m³ vieram da cobertura original do prédio.

O redesenho interno da cobertura traz mais leveza e visibilidade ao ambiente do 3º andar do Museu, também com o objetivo de evidenciar a intervenção – seguindo os princípios de intervenção em bens tombados, o visitante poderá reconhecer de imediato as temporalidades existentes no mesmo edifício.

O projeto de reconstrução da cobertura, assim como o das fachadas, também contempla ações de conservação da cobertura da Ala Oeste, que não foi atingida pelo incêndio, de forma a garantir a integração de todo o edifício.

A reconstrução foi aprovada pelos três órgãos do patrimônio histórico: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), órgão de âmbito estadual, e Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).

O custo total da reconstrução está estimado em R$ 65 milhões. O valor de investimento da iniciativa privada será de R$ 36 milhões. O restante vem da indenização do seguro contra incêndio. O histórico da reconstrução está em www.museudalinguaportuguesa.org.br/reconstrucao/linha-do-tempo/

 

Sobre o Museu da Língua Portuguesa

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Equipamento incentiva visitante a descobrir novos aspectos do idioma, elemento fundador da cultura do país

 

Em 10 anos de funcionamento, o Museu recebeu cerca de 4 milhões de visitantes (319 mil destes em ações educativas). Primeiro do mundo totalmente dedicado a um idioma, trouxe ao país um novo conceito museográfico, que alia tecnologia e educação. Com uma narrativa audiovisual e ambientes imersivos, permite ao visitante descobrir novos aspectos do idioma, elemento fundador da cultura do país. Foi eleito pelo Trip Advisor um dos três melhores museus do Brasil e da América Latina em 2015. Sua instalação na Estação da Luz é simbólica: foi ali o ponto de chegada de imigrantes de vários lugares do mundo, com diferentes idiomas e sotaques, no coração de São Paulo – maior cidade de falantes de português do mundo.

Como parte das ações para manter viva a conexão entre o Museu da Língua Portuguesa e seu público durante o período de reconstrução foi lançado o site www.museudalinguaportuguesa.org.br Construído para permitir a navegação de todos os públicos – com ou sem algum tipo de deficiência –, conta com recursos de acessibilidade digital. Nele, os usuários podem acompanhar as novidades da reconstrução, relembrar o histórico do Museu e ter contato com entrevistas e artigos relacionados à língua portuguesa.