Edição 314Março 2021
Quarta, 14 De Abril De 2021
Editorias

Publicado em 5/01/2021 - 10:59 am em | 0 comentários

Divulgação

Tropicália é tema de peça on-line com elenco de diversas partes do mundo

Concepção da peça nasceu durante a pandemia

Tropicália é tema de peça on-line com elenco de diversas partes do mundo

O Teatro Lusotaque, grupo teatral situado em Colônia, na Alemanha, apresentará a peça virtual “Revoluções Tropicalistas: uma experimentação cênica”, neste sábado 9 e nos dias 16, 23 e 30 de janeiro, às 15 horas. A concepção da peça nasceu em formato digital e sem encontros presenciais durante a pandemia, já que a Alemanha enfrentava lockdown e quarentenas estendidas. O grupo partilha o interesse pela língua portuguesa e pela cultura lusófona.

Mas, como manter a teatralidade inerente ao texto estando a um palmo de uma câmera? Começaram longos ensaios diários, estudos de texto, pesquisa de linguagem, e junto com tudo isso o medo da capacidade de se adequar a tantas mudanças. Mas o medo deu vazão à vontade de criar. Foram três meses de preparação, onde todos os participantes se debruçaram em pesquisa, levantando todo o tipo de material sobre a Tropicália: de livros a documentários, passando por músicas e filmes da época, além de entrevistas e conversas informais com pessoas que viveram o movimento.

“Revoluções tropicalistas: uma experimentação cênica” é encenada por 11 atores, de diferentes origens e nacionalidades. Aproveitando-se da vantagem do encontro virtual, enquanto a maioria dos participantes reside em Colônia, o experimento também conta com atores do Brasil e França. A peça é toda falada em português com legendas em alemão para que o público local também possa entender.

“Desde o primeiro encontro do grupo há uma pergunta que permeia todos os ensaios: estamos fazendo teatro? E após meses de discussões, concluímos que a resposta não é tão importante quanto o efeito que a pergunta nos causa. Ao discutir as formas do fazer teatral, nos fortalecíamos diariamente como indivíduos e como grupo, com a participação de alguns integrantes que não se conhecem pessoalmente, mas que compartilham das mesmas dores deste ano pandêmico. E chegamos à conclusão que sendo teatro ou não, temos a certeza de que estamos aqui pelo teatro, pela arte e pela cultura”, explica Alexandra Marinho, carioca que mora na Alemanha desde 2014 e é diretora da peça.

A apresentação é transmitida gratuitamente e de forma exclusiva pela plataforma Zoom, às 20 horas na Alemanha e 15 horas no Brasil. Após todas as apresentações, os atores e o diretor continuam na plataforma para conversar com o público sobre este caminho que estão seguindo e responder dúvidas dos espectadores.

Em “Revoluções tropicalistas: uma experimentação cênica”, o Grupo Lusotaque faz das plataformas digitais o cenário para reviver cenas icônicas da Tropicália, movimento de ruptura cultural e política que sacudiu o Brasil no final da década de 60.

O espetáculo, que é fruto deste estudo, faz uma releitura de cenas icônicas deste período, assim como o discurso de Caetano Veloso no Festival da Canção em 1968 ao cantar “É proibido proibir” sob intensas vaias; o texto contundente de “Terra em Transe”, que hoje nos parece absolutamente atual em seus questionamentos ou até mesmo o polêmico manifesto antropófago de Oswald de Andrade, que tanto inspirou aos tropicalistas desde sua publicação nos áureos tempos modernistas. Além de celebrar personalidades marcantes do movimento – como José Celso Martinez Corrêa, Maria Bethânia, Rita Lee e Jorge Mautner –, unindo teatro, música e tecnologia.

Com direção de Alexandra Marinho, o experimento traz à tona debates tropicalistas ainda indispensáveis nos dias de hoje, como desigualdade social, influências culturais internacionais, censura, feminismo e questões LGBTQI+, permeados por trechos do Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.

O projeto também põe em pauta o próprio fazer teatral, debatendo a transição de sua função social e política iniciada pela Tropicália no final dos anos 60 até o questionamento do papel das plataformas digitais no contexto do “novo normal” do cenário cultural e artístico do ano de 2020.

O Teatro Lusotaque, grupo teatral de língua portuguesa, foi fundado em maio de 2006 na Universidade de Colônia, por iniciativa de Beatriz Medeiros, leitora do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Portugal) e professora do Instituto Luso-Brasileiro da Universidade de Colônia. O grupo promove, assim, o estudo da língua e literatura portuguesa através do teatro.

No início, o grupo era composto por variados membros, em sua maioria alunos dos cursos de Estudos Regionais da América Latina e Letras Português da Universidade de Colônia (dentre nativos e estrangeiros) – complementado por atores profissionais do Brasil e de Portugal. Hoje o grupo recebe cada vez mais alunos das mais diversas áreas disciplinares e origens geográficas.

De 2010 a 2016, o grupo foi liderado principalmente por Fabian Aquilino, seguido por Marianna Souza, que dirigiu o grupo até 2019. Em 2020, Alexandra Marinho assumiu a direção do Teatro Lusotaque.

Inscrição e programa do espetáculo no link https://linklist.bio/revolucoes_tropicalistas

Para colaboração consciente, conta Brasil: Andrea Piol, Banco do Brasil, Ag 2917-3, c/c 16555-7, CPF 883.937.713-15; conta Alemanha: Gabriel Frey, IBAN: DE82 3705 0198 1932 1253 52, BIC: COLSDE33XXX, Sparkasse KölnBonn; Paypal: paypal.me/gabrielfrey

Responder