Edição 290Março 2019
Sexta, 19 De Abril De 2019
Editorias

Publicado em 28/03/2019 - 7:56 am em | 0 comentários

Divulgação

Museu do Ipiranga será modernizado para o bicentenário da Independência

EDP Brasil, Sabesp e Itaú apoiarão com R$ 12 milhões cada

Museu do Ipiranga será modernizado para o bicentenário da Independência

O governador João Doria se reuniu com empresários para apresentar o projeto de modernização do novo Museu do Ipiranga. O encontro contou também com a presença de autoridades estaduais, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e ligadas ao museu e à USP.

“Lançamos as cotas para captação de patrocínio. Três grandes empresas aceitaram e assinaram. A EDP, a Sabesp e o Itaú já somam R$ 36 milhões”, declarou Doria na abertura do encontro, ao ressaltar que ao término da reunião que duas outras empresas já demonstraram interesse: “Estamos otimistas, temos que obter R$ 160 milhões, esse é o nosso objetivo e confio que vamos alcançar. O museu e os jardins do museu estarão totalmente recuperados para, em setembro de 2022, fazermos uma grande celebração dos 200 anos da Independência do Brasil”. As obras começam no próximo dia 2 de maio, já com os R$ 36 milhões.

Mais antigo museu público de São Paulo, o Museu do Ipiranga passa por restaurações desde 2013. No entanto, a atual gestão do governo estadual, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa e a USP estão se mobilizando para captar recursos e acelerar as obras, para inaugurar o novo Museu do Ipiranga em 2022, ano do Bicentenário da Independência do Brasil.

O processo de restauração e modernização do museu será algo único na história do país. Audacioso, visa recuperar o monumento de 123 anos e uma das maiores referências nacionais em museus. Um projeto grandioso que poderá ser concebido com a participação ativa da sociedade brasileira, que ajuda a construir a história do país, e terá, agora, a chance de restaurar o edifício.

Cerca de 150 grandes empresas estiveram presentes ao encontro e foram convidadas pelo governador a realizar doações para as obras. Além disso, Doria solicitou ao presidente Jair Bolsonaro a ampliação do valor que está autorizado, via Lei Rouanet, para a reforma do museu. O valor atual é de R$ 50 milhões e a intenção é conseguir R$ 160 milhões.

Uma grande campanha de captação para levantar recursos para a obra e para a exposição de reabertura iniciou-se terça-feira passada. Na primeira fase, grandes doadores e parceiros ajudarão o projeto com recursos. Na segunda fase, uma campanha pública dará à população a oportunidade de colaborar com o projeto, a partir da contribuição de pequenas cotas.

A EDP, empresa que atua em todos os segmentos do setor elétrico brasileiro, anunciou investimento de R$ 12 milhões para a restauração. A empresa, por meio do apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, foi a primeira a fechar um contrato para o projeto, seguida pelo Itaú e Sabesp, que também irão doar R$ 12 milhões cada um.

A iniciativa privada e pessoas físicas poderão colaborar como doadores, com aporte direto de recursos, com ou sem incentivo fiscal. Ou, ainda, como apoiadores, podendo oferecer produtos e serviços que atendam ao trabalho do museu ou à estratégia de captação, comunicação para a campanha de marketing, patrocínio de projetos específicos e licenciamento de marca.

O projeto prevê uma nova ocupação do museu, com mais 5 mil metros quadrados de área nova para exposições e atividades culturais, e de forma 100% acessível. A modernização prevê ainda um auditório, um café com loja de suvenires e um mirante.

A requalificação do museu pretende triplicar a capacidade anual de visitação, passando dos 300 mil registrados em 2013, para 900 mil com as modernizações e novas atrações.

Criado em 1894, o Museu está localizado no edifício que era conhecido como Monumento do Ypiranga, construído para marcar o local da proclamação da Independência. Suas portas foram abertas ao público em 7 de setembro de 1895. O Museu nasceu como museu enciclopédico e foi incorporado, em 1963, à Universidade de São Paulo. Desde 1989, é um museu especializado em história da cultura material da sociedade brasileira.

Hoje, o Museu Paulista da USP conta com um complexo que se organiza em duas sedes: o Museu do Ipiranga e o Museu Republicano, na cidade de Itu. O acervo foi objeto do primeiro tombamento federal ocorrido no Estado de São Paulo, realizado em 1938.

Como um museu universitário, é a pesquisa que orienta a curadoria das exposições realizadas para o público. Além disso, o museu oferece cursos de extensão e disciplinas de graduação e de pós-graduação, possui programa de iniciação científica e recebe pesquisadores em pós-doutorado e professores visitantes.

Integra, juntamente com os outros três museus estatutários da USP, o Programa de Pós-Graduação Interunidades em Museologia, único curso do Estado de São Paulo que permite a formação de museólogos. Nos últimos 10 anos, a instituição ofereceu cerca de 500 estágios a alunos de graduação em diferentes setores. O museu também é referência para a formação e aperfeiçoamento profissional. Suas oficinas, cursos e visitas técnicas mobilizam profissionais das áreas de conservação, documentação e curadoria de exposições de todo o Brasil.

Em ambas as sedes, o museu reúne 103.000 objetos e imagens, 700 metros lineares de documentação textual e 120.000 livros e periódicos dos séculos XVI ao XX. Desde a sua abertura ao público, em 1895, 27 milhões de pessoas já visitaram as exposições.